College Algebra na UoPeople

Após longa pausa estou de volta com mais uma postagem da série de cursos da UoPeople. Um dos motivos do retorno é por conta do preparo que costumo fazer antes de retomar os estudos. Esta semana volto com Databases 1.

A revisão de College Algebra é especialmente especial porque é um dos cursos que geram mais perguntas dos estudantes. Também é o que causa mais ansiedade. É natural. Matemática não é o forte da maioria e a educação brasileira é, digamos, deficitária neste quesito. O objetivo aqui é tirar um pouco dessa ansiedade, ou pelo menos ajudar na identificação dos pontos fracos e fortes. Ficamos ansiosos com o que não conhecemos.

 

Descrição do Curso

O objetivo é fornecer uma base sólida em álgebra, trigonometria e geometria analítica. Quando se diz base, é porque realmente serão tópicos demandados nos demais cursos adiante, como Introdução à Estatística, Cálculo e Matemática Discreta, por exemplo.

O curso inclui o estudo de funções lineares, quadráticas e racionais, além de introduzir funções exponenciais, logarítmicas e cálculo de círculos. Mais uma vez, tópicos que serão revisitados em outros cursos adiante.

 

Dinâmica

O material principal do curso é o livro Precalculus, de Carl Stitz e Jeff Zeager. As unidades basicamente demandam o estudo autônomo dos capítulos, com sugestão de exercícios para completar em cada capítulo. Temos também aqui o fórum de discussão, peer-reviewed exercises e o learning journal.

A dificuldade de cada unidade varia bastante. Me considero um estudante fraco em matemática, mesmo assim não tive dificuldades específicas para aprender os conceitos. De qualquer forma, considerando a grade curricular padrão no Brasil, classifico o curso como sendo relativamente difícil. As unidades de polinomiais, funções logarítmicas e exponenciais e trigonometria são especialmente desafiadoras. A parte de trigonometria especialmente por ser no final do curso, quando já estamos com menos energia. Algumas, por outro, são relativamente simples, como funções e sistemas de equações.

Claro que essa percepção irá variar bastante de aluno para aluno, bem como a familiaridade prévia dos conceitos de cada unidade.

 

Crítica

Para mim, em termos de estrutura, College Algebra foi um dos cursos mais fracos da UoPeople até o momento. O conteúdo é espremido no conceito de discussion forum + learning journal + peer-reviewed exercises + self-quiz + graded quiz. Na prática não funciona muito bem. O instrutor da minha classe não estimulou o engajamento no fórum e as discussões foram, em sua maioria, burocráticas e entediantes. Alguns exercícios foram confusos, e o livro não é um exemplo de didatismo. São faltas graves no contexto de um curso online que se propõe acessível e moderno.

 

Exame Final

O formato do exame final é semelhante ao dos quizzes apresentados nas unidades, porém não espere perguntas repetidas ou simples. Creio que a prova é gerada aleatoriamente e no meu caso caíram várias questões de trigonometria, o tópico que estudei menos.

A prova deve ser realizada sob a presença de um supervisor. Como sempre, utilizei ProctorU pela comodidade e não tive problemas. Dentre os exames finais, este é o que possui as instruções mais detalhadas. É permitido o uso de calculadora simples, o que quase ninguém mais têm hoje em dia. Calculadora científica, celulares, tablets e dispositivos similares são proibidos. Não pode checar cadernos nem materiais de referência.

 

Dicas

A principal, de longe, é: revise o conteúdo com antecedência e estude por vias alternativas! É importante identificar os pontos fortes e fracos e atacar os fracos antes do curso começar. Os prazos são curtos, o conteúdo é intenso e matemática enferrujada não se azeita em dois meses. Use e abuse de sites como Khan Academy ou similares. O ritmo de estudo nele pode ser lento, mas os tópicos são explicados com muita qualidade. Você aprende a lógica por trás dos conceitos, o que o material deste curso, assim como a maioria dos materiais de matemática, não sabe ou não tem espaço suficiente para fazer com sucesso. A sensação é quase como ter um tutor particular.

Segunda dica: caso não entenda determinado tópico, não hesite em pedir ajuda para o instrutor, colegas ou grupos de estudantes. A inteligência coletiva faz milagres e as pessoas costumam ter recomendações excelentes.

Terceira e última dica: mantenha a consistência! Esse ponto foi o meu maior erro e afetou significativamente a minha performance no curso. Não deixe as coisas para o exame final. Complete todos os exercícios, por mais tediosos que eles possam ser. O esforço pode ser um pouco maior, porém é distribuído e fará você depender muito menos da nota no exame final. Nele os exercícios são aleatórios e alguns mal-diagramados. Não dependa da sorte.

Espero ter ajudado. Como sempre, caso tenham dúvidas, deixem um comentário!

A luta é uma dança que é uma luta

Imagem da manifestação de resistência a Bolsonaro. Hermann Platz

São coisas misturadas, luta e dança. Mistura e oposição simultâneas. Ambas fazem parte da natureza. Acasalamento e oposição. Criação e morte. Beleza e horror. A existência de uma possibilita a apreciação da outra. As melhores lutas têm um pouco de dança e as melhores danças têm um pouco de luta.

É tempo de resgatar a dança dentro da luta e a luta dentro da dança. Tivemos um vislumbre disso na Hermannplatz, dia 4 de novembro de 2018: Kundgebung des Widerstands gegen Bolsonaro.

Que comecem a música. O primeiro round vai começar.

Quantos somos?

A – Sinto que o mundo está mais conectado. As pessoas viajam mais, conhecem outras culturas…

B – Você acha? Concordo que tem muito mais gente viajando, mesmo assim acho que ainda não é tão representativo.

A – Por que você diz isso? Está tudo lotado de turistas hoje em dia!

B – Mas isso é aqui na Europa. É em cidades específicas. O aumento existe, mas é concentrado.

A – Discordo. Todos os meus amigos viajam. Cada vez que nos encontramos o assunto acaba sendo a última viagem, um novo lugar descoberto.

B – Qual é a representatividade dos seus amigos? Digo, em relação ao mundo? Em relação a 7 bilhões de pessoas no mundo.

A – Mas aí você está indo muito além…

B – Não acho que é muito além. Você falou em mundo conectado. Existe esse discurso de que o mundo está cada vez menor. Mas acho que é uma ideia falsa. Ou, pelo menos, distorcida.

A – Distorcida como?

B – Primeiro pelo argumento da representatividade. Sim, mais gente viaja, mas ainda é uma minoria em termos globais. Boa parte do mundo continua sem recursos básicos e viajar é um luxo. Segundo, tem a desigualdade, mesmo nos países desenvolvidos. Algumas pessoas viajam muito, a maioria pouco ou nunca.

A – De onde você está tirando essa informação?

B – Estamos conversando, não tenho as referências de cabeça. Mas é só dar um Google e ver. Até onde eu lembro 2017 teve por volta de 1.3 bilhões de turistas. É gente pra cacete, mas temos 7.5 bilhões de pessoas no mundo. Não dá nem um quinto do total!

A – Mas cada um que viaja volta com histórias! Espalha entre os amigos, pela família. Esses 1.3 bilhões com certeza influenciam o restante.

B – É um bom ponto, não discordo totalmente. Mas aí entramos na questão qualitativa também.

A – Em quê sentido?

B – Viajar não é um produto acabado. Existem muitas formas de viajar. Pode ser profissional, familiar, sexual, turística. Pegando apenas a turística, acho que em boa parte o ato de viajar se tornou um produto de consumo.

A – E qual é o problema de ser um produto de consumo?

B – O problema é que não existe conexão, como você falou. Existe consumo. Compra, uso e descarte. As pessoas não absorvem a outra cultura de forma significativa. Elas se deslocam fisicamente, consomem, e voltam. É ínfima a parcela que realmente absorve, que realmente se conecta.

A – Essa é a sua opinião. Para você se conectar exige o quê?

B – Sem dúvida é a minha opinião. É o que as pessoas fazem quando conversam. Realmente, para mim conexão é algo que leva tempo. Não pode ser condensada em uma semana, um mês, talvez nem em um ano.

A – Então ninguém se conecta com ninguém? Quantos podem viajar por mais de um ano?

B – Claro que se conecta. Algumas viagens são introduções para algo além. Estabelecemos laços e eles são construídos com o tempo.

A – Então pronto, existe conexão!

B – Existe, isso é inegável. O meu ponto é que isso não é representativo. O discurso de um mundo mais tolerante por causa de tanta gente fazendo mochilão é exagerado. A prova disso é ver o que tem acontecido na política.

A – A maioria dos meus amigos que viajam está chocada com essas mudanças!

B – É claro que estão. Mas o que eles podem fazer? São minoria. Uma minoria conectada com o mundo e desconectada de seu próprio povo…

Jane Goodall

O documentário Jane é o tipo de filme que ultrapassa o próprio tema numa mistura consciente e inconsciente dos autores. Mostra como a vida de uma mulher, um indivíduo, é capaz de tocar em temas universais de uma forma extremamente poderosa. Do papel da mulher na sociedade para o papel do ser humano no mundo, da constituição da família para a construção e destruição de comunidades inteiras, da natureza animal para a natureza humana. Temas poderosos que são apresentados de forma singela, o que torna o resultado final ainda mais tocante.

Para mim a vida de Jane Goodall é uma lição de como o aprendizado vem do equilíbrio entre vivência e reflexão. De como ele pode partir de pura inocência e amor, e ir se desenvolvendo, passo a passo de forma diversa e multifacetada. É uma lição que procuro internalizar o máximo possível e que não poderia deixar de compartilhar.

Aproveitem enquanto Jane está disponível no Netflix.

Obrigado, Lê, pela recomendação!

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O único viajante com verdadeira alma que conheci era um garoto de escritório que havia numa outra casa, onde em tempos fui empregado. Este rapazito coleccionava folhetos de propaganda de cidades, países e companhias de transportes, tinha mapas — uns arrancados de periódicos, outros que pedia aqui e ali —; tinha, recortadas de jornais e revistas, ilustrações de paisagens, gravuras de costumes exóticos, retratos de barcos e navios. Ia às agências de turismo, em nome de um escritório hipotético, ou talvez em nome de qualquer escritório existente, possivelmente o próprio onde estava, e pedia folhetos sobre viagens para a Itália, folhetos de viagens para a Índia, folhetos dando as ligações entre Portugal e a Austrália.

Não só era o maior viajante, porque o mais verdadeiro, que tenho conhecido: era também uma das pessoas mais felizes que me tem sido dado encontrar. Tenho pena de não saber o que é feito dele, ou, na verdade, suponho somente que deveria ter pena; na realidade não a tenho, pois hoje, que passaram dez anos, ou mais, sobre o breve tempo em que o conheci, deve ser homem, estúpido, cumpridor dos seus deveres, casado talvez, sustentáculo social de qualquer — morto, enfim, em sua mesma vida. É até capaz de ter viajado com o corpo, ele que tão bem viajava com a alma.

Recordo-me de repente: ele sabia exactamente por que vias-férreas se ia de Paris a Bucareste, por que vias-férreas se percorria a Inglaterra, e, através das pronúncias erradas dos nomes estranhos, havia a certeza aureolada da sua grandeza de alma. Hoje, sim, deve ter existido para morto, mas talvez um dia, em velho, se lembre como é não só melhor, senão mais verdadeiro, o sonhar com Bordéus do que desembarcar em Bordéus.

E, daí, talvez isto tudo tivesse outra explicação qualquer, e ele estivesse somente imitando alguém. Ou… sim, julgo às vezes, considerando a diferença hedionda entre a inteligência das crianças e a estupidez dos adultos, que somos acompanhados na infância por um espírito da guarda, que nos empresta a própria inteligência astral, e que depois, talvez com pena, mas por uma lei alta, nos abandona, como as mães animais às crias crescidas, ao cevado que é o nosso destino.

FP

Escrever

Escrever. Colocar uma ideia no papel. Pegar no lápis, movimentar a mão, rabiscar símbolos. Desenho. Passar tinta na parede. Esfregar a mão. Representar. Contar uma história. Não pensar, não julgar, não apagar. Fluidez. Inocência. Simplicidade. Autenticidade. Bater o pé no chão. Assobiar. Bater uma mão na outra. Ouvir. Repetir. Sentar e observar. Olhar para cima, para baixo, para a esquerda, para a direita. Respirar. Respirar mais fundo. Sentir o coração.

Enfrentando English Composition 2

Até agora postei todos os resumos de curso na ordem em que completei. Me pareceu lógico, até para me ajudar na revisão das matérias enquanto estou de férias. Porém hoje decidi trocar a ordem. O próximo curso seria College Algebra, mas acho melhor agrupar os cursos de “humanas” primeiro e depois focar nos mais técnicos, portanto é a vez de English Composition 2.

Cursos com número ao lado me intimidam. Lembro dos tempos de Técnicas e Gêneros Jornalísticos 2, ou até amigos engenheiros estudando Cálculo 3, e a sensação de que você já deve estar manjando muito, ultrapassando o básico e mergulhando num mundo de especialização e experiência. Como tantas coisas na vida, quando você chega lá, percebe que não é nada assim.

Isso é especialmente verdade com English Composition 2 (EC2) na University of the People. Um curso que em muitos aspectos é uma repetição de EC1, com pitadinhas a mais de conteúdo aqui e ali e menos foco em tópicos realmente básicos de redação, conforme vimos no post anterior.

Em EC2 o objetivo principal do curso é acompanhar o aluno na elaboração de um trabalho de pesquisa acadêmico, bem como no desenvolvimento das técnicas necessárias neste processo. Escrita, análise dos componentes, avaliação de referências, identificação de conceitos-chave, técnicas de síntese, leitura crítica e práticas de pesquisa são os principais tópicos abordados ao longo das oito unidades.

A questão da proficiência no inglês, tão recorrente entre os interessados em participar da UoPeople, já foram respondidas na postagem de EC1 e dos cursos anteriores. Este curso parte do princípio que o aluno possui inglês funcional para leitura e trabalhos escritos. Para se ter uma referência do nível, um dos trabalhos pede a análise de um texto de James Joyce, o que definitivamente é uma obra que usa a língua inglesa de forma complexa. A avaliação dos colegas (peer-to-peer) nos trabalhos é ainda mais crítica (e frequentemente injusta) em EC2. Variações nas notas dos trabalhos são comuns, dependendo do grupo de alunos selecionado para te avaliar. Costuma ser necessário recorrer ao instrutor do curso nos casos mais extremos de nota injusta, porém mantenho a recomendação de não se apegar tanto à pequenas variações.

Um dos pontos mais interessantes do curso é a questão da análise crítica, extremamente válida nos dias de hoje em que tantas pessoas têm dificuldade para interpretar informação. Um dos materiais contém uma lista de questões que vale imprimir e colocar no espelho do banheiro, para ler todas as manhãs:

1-) Qual é o título e o assunto do texto?

2-) Qual é a posição do autor? Como eu sei disso?

3-) Quais evidências o autor apresenta para embasar as ideias? Como eu sei disso?

4-) As evidências são válidas? Como eu sei disso?

5-) As evidências são relevantes? Como eu sei disso?

6-) Eu já ouvi/li algo similar antes? O quê foi?

7-) Eu concordo ou discordo da posição expressa pelo autor? Por quê?

Sete questões que lembram bastante as jornalísticas “Quem, o quê, onde, como, quando e por quê”, que se aprende na faculdade e se ignora na profissão. Teorias importantíssimas para todos os outros cursos adiante, seja em Business Administration ou Computer Science.

O principal elemento de EC2 é o trabalho acadêmico, cujo tópico acima está intimamente relacionado. O curso mergulha no passo-a-passo necessário para compor um academic paper, destrinchando o conceito de tese, antítese e síntese, metodologias de pesquisa quantitativa e qualitativa e o desenvolvimento de um Abstract. O desenvolvimento do trabalho acadêmico permeia todas as unidades do curso e é um exercício bem interessante de fazer logo no início da vida acadêmica. Aqui vai a principal dica: escolha o tema do trabalho o mais cedo possível. Cada unidade do curso vai “montando” a pesquisa aos poucos, usando os Learning Journals, então, se você decidir mudar o tópico lá na frente, vai dar trabalho para escrever tudo de novo. Decidir o tema antes garante que você vai distribuir o esforço ao longo de oito semanas.

Quanto aos Discussion Assignments, não tem segredo. Eles seguem mais ou menos o padrão de EC1, talvez com alguns tópicos um pouco mais desafiadores e textos mais complexos. Algumas unidades possuem textos muito bons, como por exemplo o artigo “Fear & Loathing in America”, de Hunter S. Thompson. Gostei tanto da discussão que adaptei meu texto de discussão e publiquei no medium para quem tiver interesse.

O aspecto central do curso é bastante elevado. É a busca pelo pensamento crítico e pela independência intelectual. Algumas atividades exigem que o aluno escolha o tópico e faça a pesquisa individualmente. Parece algo óbvio, mas é legal pensar sobre os assuntos que te interessam e transformá-los em uma pesquisa estruturada. Não existe assunto certo ou errado, é o processo de pesquisa que importa. Em um dos trabalhos, por exemplo, falei da mineração ilegal em terra indígenas apoiada por agentes do Estado no Brasil.

O curso tem potencial de melhorar muito, mas para mim ele atende muito bem o requisito de encontrar um propósito na atividade acadêmica. Estudar não serve para tirar notas altas e ganhar um papel estiloso com o seu nome no final. Estudar é exploração, é resolver problemas, encontrar soluções. Para isso ser efetivo é importante um mínimo de estrutura e é disso que EC2 trata.

Sobre Globalization na UoPeople

Considero que este foi o meu primeiro curso “real” da universidade. Não é um curso que ensina como estudar, que foca em regras de formatação acadêmica e organização de anotações. O tópico é Globalização e o objetivo é debater o assunto de forma estruturada ao longo das oito unidades. Foi nele que meu inglês foi realmente testado, bem como minha capacidade de pesquisa, síntese e escrita. Foi também o primeiro curso em que encontrei alguns pontos negativos sobre a universidade, que serão mencionados abaixo.

 

Objetivos do Curso

Segundo o plano de aulas, temos o seguinte:

– Explicar os conceitos e debates básicos sobre globalização econômica.

– Identificar e explicar os impactos da globalização em seus vários aspectos.

– Analisar a complexidade da globalização, suas múltiplas perspectivas, posições dos grupos de interesse e críticos entre várias culturas, bem como desenvolver sua própria visão sobre a questão.

– Sugerir estratégias e métodos para reduzir os danos e os impactos negativos do processo de globalização.

São tópicos amplos. O primeiro ponto que destaco dos itens acima, e que se comprova ao longo das unidades, é que o curso exige pesquisa, posicionamento e postura crítica. No curso este ponto quanto à postura crítica é realmente chave para o sucesso nos trabalhos.

 

Esforço esperado

Sei que esta é a principal dúvida de quem lê uma postagem como essa. Minha sensação é que o curso não foi especialmente exigente, porém muitos colegas desistiram do curso na primeira semana, comentando que ele exige muita leitura.

Isso é correto e incorreto ao mesmo tempo. O curso começa exigente e ao longo das unidades vai se tornando mais fácil e um tanto repetitivo. O fichamento de leitura da primeira semana, por exemplo, ficou com mais de 12 páginas. Ao longo das unidades, porém, esse número se reduziu para 4 ou 5 páginas de anotações, em média. O esforço maior, portanto, é na primeira unidade. Não se assuste! Diria que dá para levar com tranquilidade investindo cerca de 6-8 horas semanais.

Meu instrutor no curso exigia um mínimo de palavras nos trabalhos. Uma postagem no fórum de discussão, por exemplo, deveria ter pelo menos 100 palavras. Submissões no Learning Journal, 500 palavras. Os trabalhos escritos, entre 700 e 1200 palavras. Somando tudo isso realmente dá uma quantidade respeitável por semana (cerca de 2000 palavras), especialmente para quem não gosta ou não tem costume de escrever.

 

Materiais de estudo

O curso não tem um livro específico. O principal recurso é o site Globalization101.org, um projeto do Instituto LEVIN, da Universidade Estadual de Nova Iorque. É um dos meus pontos “negativos” do curso, pois é um material relativamente desatualizado. Por exemplo, um dos textos sobre Tecnologia ainda destaca o Orkut como rede social popular! A primeira unidade, com mais leituras, possui fontes mais diversificadas, porém isso diminui da metade do curso para o final.

O lado positivo é que se espera uma postura ativa do aluno para pesquisar além dos materiais fornecidos. Os conhecimentos adquiridos no curso de English Composition 1 e Online Education Strategies vêm a calhar e a sensação é que a lógica de como os cursos são ordenados faz todo o sentido.

Minha dica para o aluno ansioso é ler os artigos do site 101 antecipadamente. Se familiarize com os assuntos antes do curso começar. Minha recomendação dos tópicos principais abordados: Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Bretton Woods, Metas de Desenvolvimento do Milênio, Declaração dos Direitos Humanos, internet como plataforma econômica, cultural e política, Subsídios Agrários em Países Desenvolvidos, BRICS, UNASUL, Joseph Schumpeter, Dra. Vandana Shiva.

 

Posicionamento nos textos

Este item é sempre complicado, pois a construção intelectual é algo profundamente pessoal. Entretanto duas dicas básicas, e talvez um tanto óbvias, valem como guia genérico para todos os trabalhos.

  1. Não é esperado apoio incondicional aos textos. É esperada, sim, uma postura crítica sobre o assunto, com posicionamento pessoal claro e estruturado.
  2. Todos os trabalhos devem ter referência externa. Formato APA, citações, paráfrases (vide English Composition 1 e OLS). O suporte de materiais que indiquem que o aluno pesquisou é obrigatório.

Como exemplo de estrutura, compartilho um dos exercícios de redação. O tema foi destacar um exemplo de efeito negativo da globalização. Escolhi falar da construção da BR-364 com recursos do Banco Mundial, seus efeitos no desmatamento e posteriormente no conflito de terras que levou ao assassinato de seringueiros, entre eles Chico Mendes. Subi o texto no Medium aqui.

 

Considerações Finais

O curso é interessante, pois aborda um tópico “familiar” de maneira relativamente profunda e multifacetada. O termo “globalização” costuma aparecer nos noticiários de forma superficial e poucas pessoas conseguem elaborar sobre seus efeitos ou desenvolver uma opinião estruturada à respeito.

A grande vantagem da UoPeople neste quesito é a educação compartilhada e a revisão entre os alunos. Existem poucas universidades no mundo com um corpo estudantil tão diversificado, em todos os sentidos (cultural, econômico, social). São grandes as chances de entrar em contato com visões totalmente diferentes da nossa a respeito da Globalização.

Esta é, inclusive, uma das vantagens para estudantes brasileiros. Fazemos parte de um país em desenvolvimento (até quando?), localizado na América do Sul, até hoje fora dos grandes centro de pesquisa, desenvolvimento e de influência global. Trazer a nossa perspectiva para classe é super relevante. Percebi que era capaz de participar das discussões com profundidade. Ao longo do curso fui capaz de refinar os motivos que me levaram a estudar na UoPeople e entender um pouco mais sobre minha posição no mundo.

Minha recomendação final é que o aluno começando a UoPeople não desista por conta da primeira semana. É comum ter Globalization junto com Online Education Strategies como os dois primeiros cursos de “graduação”. São cursos que fazem bastante sentido no início dos estudos, portanto não recomendo deixar para depois!

O belo

O belo não tem dono. Não é propriedade de ninguém, é apropriação difusa. É raro, mas é acessível por todo mundo. É consumido sem compreensão. Queremos protegê-lo, tomá-lo, mas ao mesmo tempo não há sentido em escondê-lo. O belo é ambíguo porque é domínio e escravidão. Ele precisa aparecer, mas ao se mostrar ele se perde. Se espatifa em centenas de pedaços, se torna vulgar. Ele é eterno mas também efêmero, é gelo com aparência de mármore: parece sólido porém invariavelmente se desfaz com o tempo.

O belo é benção para os que observam e é maldição para si mesmo.