Programming 1 na UoPeople – Debugging

E já se foram alguns cursos compartilhados aqui desde que comecei a série de textos sobre a University of the People. Testei formatos diferentes procurando manter a estrutura mais ou menos coesa: linhas gerais do curso, pontos fortes, fracos, desafios e dicas gerais. O objetivo sempre foi lançar uma luz no caminho, não mostrar os detalhes do trajeto.

Parte desse esforço é egoísta. Cada postagem me força a revisar o curso e isso me ajuda a internalizar o que estudei. É também uma oportunidade de refletir sobre o que aprendi, e, principalmente, sobre como eu aprendi. Esse é o aspecto mais interessante do processo de aprendizado, na minha opinião. O “como” e o contexto. É entender o que está acontecendo no mundo enquanto aprendo determinado tópico e como isso afeta esse processo de internalização do conteúdo.

É um equilíbrio difícil. Ao criar um espaço público para compartilhar as minhas ideias, estabeleço invariavelmente um compromisso com o mundo externo. Preciso ser compreendido pelos outros. Não estou falando sozinho. O ato de compartilhar envolve ação e reação. É um ciclo que se retroalimenta. Abrir-se para o mundo envolve risco. E de que vale se arriscar se não for de corpo inteiro? De que vale se manter na zona de conforto no meio do desconhecido?

Essa postagem é sobre o curso de Programming 1 na University of the People, mas não de uma forma óbvia. Dessa vez não vou falar sobre o syllabus do curso, nem sobre os discussion forums, ou sobre os learning journals. São tópicos pontuais que podem ser escritos por qualquer um e já são publicados com prazo de validade limitado. Pouco significa falar que programamos em Java, que utilizamos Netbeans como IDE, ou que os Programming Assignments possuem 25% de peso na nota final. Isso foi assim há um ano atrás.

O objetivo-chave é o que podemos fazer de prático com esse conhecimento. É responder no quê Programming 1 acrescentou na minha vida. É explicar quais ferramentas adquiri para contribuir com algo, nem que esse algo seja um único grão de areia no castelo da humanidade. Programação Orientada a Objetos, Herança, Polimorfismo, Classes, Interface Gráfica e Estrutura de Dados: o que significa tudo isso para o mundo atual?

Nesse processo de reflexão pessoal é fácil deixar o pessimismo dominar tudo e revelar a resposta mais horrenda de todas: Eu não sei o que tudo isso significa. Entendo os conceitos. Aprendi ao longo do curso sobre estes e tantos outros tópicos considerados “essenciais”. É isso que Programming 1 cobre. Tópicos básicos sobre programação. Mas isso não significa nada sem objetivo. É como olhar um martelo e entender que ele serve para bater um prego, mas nunca utilizá-lo.

Eu faço aqui um convite e uma provocação. De agora em diante só vou falar enquanto bato o prego.

Polimorfismo em Java

Na unidade 6 do curso de Programação 1 aprendemos o conceito de polimorfismo, termo derivado do grego poli — muitos —, e morpheus — forma, estrutura. Uma das tarefas é discutir polimorfismo no contexto de programação orientada a objetos e dar um exemplo de como implementar essa funcionalidade em Java.

Revisando as anotações achei que a minha abordagem foi interessante. Segue para a apreciação, com pequenas modificações.


The world around us is polymorphic. We can see this almost everywhere: people, animals, cars, books, languages, houses. As humans, we seek to differentiate ourselves from others. We like to think and show that we are unique up to a point in which other people still recognize us as humans. Up to a point that they still can relate and interact with us.

Something similar happens with a programming language like Java. The ability to instantiate and handle multiple objects together make complex programs easier to handle, manage and develop. It is expected that complex software keeps evolving and including new functionalities with time. Imagine that if for each new functionality you have, you need to review previous objects and update old code to fit each new features included. It can easily become a complex and time-consuming task. Polymorphism is a powerful solution that avoids a lot of code rework and guarantee program fluidity. Citing Oracle Java documentation definition, “subclasses of a class can define their own unique behaviors and yet share some of the same functionality of the parent class.” (Oracle, 2017)

Imagine the following Language superclass and English subclass.

class Language {
    void toHear(Language hear) {
    // Method to hear some language
}
toSpeak(Language speak) {
    // method to speak some language
    }
}

class English extends Language {
	void toHear(English hear) {
	// specific instructions to hear and understand the English language.
	}
	toSpeak(English speak) {
	// specific instructions to hear and understand the English language.
	}
}

Imagine that in the example above you have multiple language subclasses and want then all to “work” in their own language. Of course that this is a simplified example, but the same method toSpeak would call a specific response for each object (aka each language), a unique behavior, while still sharing some functionality from the parent class.

Reference: Oracle (Ed.). (n.d.). Polymorphism. Retrieved October 18, 2017, from https://docs.oracle.com/javase/tutorial/java/IandI/polymorphism.html

Programming 1 – Learning Journal

Escrevi isso no diário de classe de Programming 1 na University of the People. Idos de 2017. Estou revisando minhas anotações para o texto sobre o curso e achei interessante compartilhar isso aqui em separado. Segue.

Learning Journal – Unit 4

The process of developing a program with subroutines was very enlightening to me in the overall programming learning process. If in the Programming Fundamentals course we were presented to conceptual models like flowcharts and pseudocode, now we actually use the tools that break the problem into manageable steps and make complex ideas possible to handle.

I know that it can be a naive feeling, but it is a realization that programs are simpler than I originally imagined. Not in the sense that they are easy. Now it is also much more clear to me the amount of effort behind complex software and systems. But they are done in manageable steps. There are several foundations done many years ago that are still used as the basis to systems that are developed nowadays. I do not remember quite well where I read the phrase from one of the Unix OS developers that was surprised by seeing lines of his code in almost every operating system that we use today.

There is this concept of the human colossus: the realization that we build everything on the shoulders of many scientists and inventors that came before us. Being a “genius” in that sense is always a humble process. Humanity is a collective effort and somewhat this is especially intense when we study software development.

As you can see, my feelings on this unit are more philosophical. Routines and subroutines building on top one of another. Black boxes and the recognition that a lot around us have mysterious internal dynamics that we simply do not think about, just trust, use, and even put our lives on its hands. This makes me understand the importance of the work that I might decide to do and the projects that I might get involved in the future. In our times, lines of code can save many lives, but they also can kill many. If in the last learning journal I talked about the importance of studying math to be a better developer, now I see the importance of philosophy and ethics behind what we do and the tools that we have at our disposal. It should not be only about a good job and salary. I must be about us all, the humanity and the human colossus.

Estudantes da UoPeople: Greyce Riquinho

Foto de Greyce Riquinho no escritório da door2door em Berlim, Alemanha.
Greyce Riquinho, estudante da University of the People e programadora na door2door

O interesse por uma universidade ou curso normalmente envolve algumas questões previsíveis: O curso é difícil? Quanto tempo leva para se formar? Tem diploma no final? Quais são as matérias mais difíceis? Ele é reconhecido no Brasil?

Todas são perguntas válidas, porém acredito que elas focam em questões que não tocam no que deveria ser central em tudo o que envolve educação: o que os alunos fazem durante e depois do curso? Existem projetos multidisciplinares? Existe uma empresa júnior? Os alunos são engajados em alguma causa?

Para mim, educação deve gerar, na maioria das vezes (nem sempre, portanto), um produto prático. Educação deve falar com a população, deve desenvolver algo com a sociedade, deve empoderar o indivíduo e a comunidade em seu entorno.

É por isso que histórias como a da Greyce Riquinho, colega na UoPeople, merecem destaque. Histórias que revelam o impacto prático do poder da educação, especialmente quando a educação é flexível e acessível. Sua história está disponível em detalhes no blog oficial da empresa em que trabalha, door2door. É uma história inspiradora, e que revela o poder da educação em conjunto com a determinação de se reinventar. Sem dúvida é do interesse de todas e todos que se interessam em estudar, mas têm dúvidas se existe algum resultado “real” depois de tanto esforço. É claro que a universidade não é individualmente responsável pelo sucesso da Greyce. A história dela é o resultado de inúmeras variáveis, algumas que só ela sabe quais são. Mas não deixa de ser um exemplo de sucesso, e um exemplo de que temos colegas engajadas em projetos e empregos incríveis em todos os cantos do mundo.

Introduction to Statistics – Manual de Sobrevivência

63% dos estudantes da UoPeople desistem após falhar no curso de Introdução à Estatística.

A sentença acima é falsa, mas só de ler já dá ansiedade. Exemplo tosco do poder da estatística. Assim começo a postagem dedicada ao curso de Introduction to Statistics da University of the People.

Do que se trata

O curso foca nos conceitos básicos de estatística descritiva e probabilidade, especialmente em preparar o estudante a pensar “estatisticamente”. Ao longo das unidades fazemos análises simples, baseadas em dados-modelo fornecidos pela universidade. Estatística inferencial será o foco de outro curso, que será compartilhado posteriormente aqui no blog.

É sempre válido apresentar uma lista com os tópicos principais, assim dá uma noção do que é esperado do estudante: Variáveis discretas e contínuas, distribuição de amostras, teorema do limite central (Central Limit Theorem), lei dos grandes números (Law of Large Numbers), aproximação binomial, variância, desvio padrão, etc. O pacote básico completo de um curso introdutório.

O detalhe das teorias matemáticas não é o foco. Elas são apresentadas sempre sob uma ótica prática. O curso utiliza a linguagem R nos exercícios, portanto é necessária a instalação do programa. Esse ponto faz o curso não ser muito amigável para dispositivos móveis (se alguém souber de bons apps que rodam R, por favor, compartilhe).

Recursos do curso

Conforme citado acima, usamos bastante a linguagem R ao longo das unidades. Instalar e se familiarizar um pouco com ela antes do curso começar pode ajudar, mas dá para ir aprendendo durante os estudos sem problema. O livro de referência se chama “Introduction to Statistical Thinking (With R, Without Calculus)”, de Benjamin Yakir. O título é auto explicativo e o livro é bom!

A qualidade dos materiais, exercícios e discussões é acima da média se comparado aos outros cursos, mas, — sempre tem um “mas” —, recomendo estudar pelo Khan Academy antes, durante e depois. Os tópicos mais complicados (Z-Scores, por exemplo) são muito bem explicados no Khan. Sei que essa é minha recomendação em quase todos os cursos, mas não consigo evitar. É difícil superar a didática do Sal.

Estrutura

Adivinhou? Pois é. UoPeople sempre consistente. Aqui também tem Learning Journal, Discussion Forum, Programming Assignments, e Graded Quiz. Vamos por partes:

Learning Journal

Ele segue o padrão de revisar os conceitos e aprendizados da semana. A grande surpresa deste curso para mim foi a instrutora, Jessica Rouen. Foi a melhor que tive até o momento, incluindo vários cursos que ainda não compartilhei no blog. Sem dúvida ela foi uma grande motivação para o curso. Além das revisões, toda semana tem três pequenos exercícios para postar no Journal: funções importantes em R, estimativa de horas de estudo, definição de conceitos (distribuição de amostra x distribuição de uma amostra, por exemplo), e até a elaboração de dicas que você daria para outros estudantes que irão fazer o curso.

Discussion Forum

Da instalação do R até a probabilidade de amostras. Uso de aproximações e modelos matemáticos. Pensamento crítico na análise de dados e dos resultados. Por que utilizar determinado modelo? Para que ele serve? Quais os pontos sensíveis? A maioria dos temas exploram o pensamento crítico sobre o resultado estatístico. Aprendemos que não é sobre calcular cegamente, mas conhecer a origem dos dados, possíveis inconsistências e falácias nos resultados.

Graded Quiz

São duas avaliações durante o curso e uma avaliação final. O peso das três avaliações representa 60% da nota, então é essencial se familiarizar com as questões, fazer todos os Self-Quiz e revisar sempre que possível.

Final Exam

Segue o padrão do Graded Quiz, por isso a importância de estudar bem as questões. O exame é proctored, o que significa que ele deve ser acompanhado pessoalmente (ou online) por um observador. É permitido usar o console do R, o livro do curso, e anotações. Calculadoras básicas são permitidas, mas nada de celular, tablet ou calculadora do computador! Meu método foi criar um documento com um resumo de todas as unidades, com a lista das fórmulas principais e funções de R mais comuns. Foi o suficiente para assegurar uma boa nota, ainda que tenha exigido um certo esforço!

Considerações Finais

É sempre importante lembrar que o objetivo da estatística não é efetuar mil cálculos complicados, com resultados indecifráveis. É saber usar ferramentas que permitam estabelecer sentido no meio do oceano de dados que temos ao nosso redor.

Os métodos estatísticos nos ajudam a chegar ao que se chama de “best educated guess”. Um palpite baseado em conceitos sólidos. Um palpite com esteróides, por assim dizer. Para isso é necessário lidar com a coleta, análise, interpretação, e apresentação de dados. É uma ciência útil para todos os campos, mas que também forma a base teórica dos campos mais “avançados” do momento, como ciência de dados e machine learning. Não perca a oportunidade de fazer esse curso com dedicação! Pode ter a certeza de que ele será útil no futuro.

Como foi Programming Fundamentals na UoPeople

A pergunta mais comum, quando digo que estudo Ciência da Computação, é: “Qual linguagem de programação você aprende no curso?”. Normalmente assim, no singular, como se existisse uma linguagem única capaz de expressar tudo e construir qualquer tipo de programa. Perguntas desse tipo são frequentes e revelam o desconhecimento das pessoas a respeito da tecnologia que nos cerca. “Hoje em dia todo mundo deve aprender a programar”. “Saber programar é uma habilidade em alta demanda”. “Milhares de vagas foram abertas para programadores”. Essas frases estão por toda parte: conversas de bar, artigos de jornal, anúncios e ofertas de cursos online. Programar é o Santo Graal da modernidade, capaz de resolver todos os problemas do mundo e de quebra garantir aquele salário anual de seis dígitos.

Programming Fundamentals é o primeiro curso de programação para a maioria dos alunos da UoPeople. É possível fazer cursos que trabalham com programação antes dele, mas é em Fundamentals que a atividade de programar está no centro do curso. Ele é a base para basicamente todos os outros cursos de CS da universidade, e de também nos ajuda a entender as limitações da computação. Ele remove a aura sagrada em torno do tópico e revela a dura realidade do ato de programar.

Os objetivos do curso

Em Fundamentals entramos na história e no desenvolvimento das linguagens de programação. Aprendemos como planejar um programa, antes de efetivamente programá-lo, utilizando modelos conceituais como pseudo code e fluxogramas, que ajudam a aprimorar a lógica de um programa, sua funcionalidade e execução. Desenvolvemos programas básicos em Python, e, finalmente, discutimos as vantagens e desvantagens de certos paradigmas de programação.

A introdução do curso destaca a importância de entender profundamente os tópicos, e não apenas completar burocraticamente os exercícios. São conceitos que serão revisitados constantemente nos cursos adiante, assumindo que já sabemos os fundamentos apresentados em Programming Fundamentals. É o alicerce de toda a construção que está por vir.

Como se preparar

Apesar do curso ser introdutório, recomendo entender o que será abordado com antecedência. Neste caso, é importante preparar a mente para entrar no “modo programador”. É o que em inglês chamam de mindset. Para minha (e nossa) sorte, nosso colega Dan Fletcher (que já citei aqui anteriormente) fez uma ótima postagem com o “manual de sobrevivência” para o curso. Ele dá dicas práticas de como instalar Python, a importância do processo de debugging, o conceito de ler-pesquisar-perguntar (read-search-ask), e compartilha sites excelentes para praticar o que aprendemos.

Para os ansiosos, vale dar uma “folheada” no livro do curso, Think Python. A versão online é dinâmica, com linguagem simples e ilustrativa. Ela contém vários exercícios interativos e que podem ser executados diretamente no navegador.

A dinâmica do curso

A UoPeople é consistente na estrutura dos cursos. Todos possuem exercícios de discussão (discussion assignments), diários de aprendizado (learning journals), e provas de múltipla escolha (graded quiz). Em Programming Fundamentals a diferença está nos exercícios de redação (written assignments), que se tornam exercícios de programação (programming assignments).

Os tópicos abordados nos discussion assignments giram em torno de conceitos genéricos de programação, como linguagens compiladas/linguagens interpretadas, linguagens formais, linguagens naturais. A maioria dos temas não possuem uma resposta absoluta, o que encaixa muito bem no formato de debate proposto. Quem espera só escrever código pode se surpreender. Os conceitos apresentados em English Composition 1 e 2 serão úteis aqui, especialmente se o instrutor for rígido com a qualidade dos textos e o uso de citações e referência APA.

Os exercícios de programação exigem a criação de pequenos programas de cálculo, de interface simples com o usuário e manipulação de documentos/dados. Quem tem experiência prévia com programação, mesmo que básica, não terá dificuldades. Praticamente todos os exercícios exigem a criação de um modelo conceitual em pseudo code/flowchart, que deve ser submetido junto com o código em Python. É um trabalho adicional que pode torcer o nariz de alguns, mas é uma forma excelente de praticar como documentar adequadamente o programa e garantir que o código seja claro para a revisão de terceiros.

Por fim, os testes de múltipla escolha abordam o conteúdo do livro Think Python e sobre a história da computação. É aqui que a quantidade de conteúdo pode ficar pesada. O curso utiliza o livro de Roy A. Allan, “A History of the Personal Computer”. É uma obra extensa, um tanto desorganizada e desatualizada, que entra nos mínimos detalhes de cada época na evolução dos computadores. Para evitar se perder na quantidade de informação, recomendo fazer os self quiz antes de ler os capítulos de cada unidade. Anote apenas o que cai nos testes e passe “superficialmente” sobre o conteúdo restante.

Mesmo com todas as falhas, o livro de história abre bastante a cabeça para a complexidade por trás do longo desenvolvimento da computação. Ele mostra como evoluções no hardware contribuem para evoluções no software, e vice-versa. Reúne publicações históricas de cada década, fala sobre a computação amadora, empresas como Tandy/Radio Shack, Altair, Namco e Atari. Processadores como o Intel 8008. Personalidades como Ada Lovelace, Charles Babbage, John von Neumann, Claude Shannon, Nolan Bushnell e Toru Iwatani.

Resumão

Este é um curso que vai além de muitos cursos introdutórios de programação que vemos pela internet. Não pela qualidade técnica, mas pela abrangência. Ele não se resume a ensinar o uso de variáveis, funções, operadores lógicos, estruturas de looping, data structures e data types. Ele vai além, misturando história, conceitos de desenvolvimento de software e exercícios práticos.

A habilidade mais importante de um cientista da computação é a resolução de problemas”. Este é um paradigma que devemos manter durante todo o curso. Não se trata de aprender essa ou aquela linguagem, mas de internalizar a capacidade de resolver problemas de forma estruturada. “Programar é o processo de quebrar uma tarefa grande, complexa, em tarefas cada vez menores e suficientemente simples para serem realizadas por instruções computacionais básicas”. Aprendemos que a tarefa mais difícil ao desenvolver um programa é conceitualizar suas instruções de forma organizada. Programar é resolver um problema, é atender uma necessidade. O programa deve ter um propósito.

Para alguns o parágrafo acima pode soar óbvio, mas sei que para outros tantos não é. É comum esquecermos esses princípios. Muitos se distraem querendo saber qual linguagem será a mais popular, ou qual linguagem é “melhor”. Descobrimos que não há resposta absoluta, e que muitas respostas dependem do contexto e do problema. Manter isso em mente é o melhor caminho para sobreviver à Programming Fundamentals e manter o foco durante a longa jornada em busca do bacharelado em Ciência da Computação.

Como sempre, estou à disposição em caso de dúvidas. É só comentar ou entrar no grupo de estudantes no Facebook.

College Algebra na UoPeople

Após longa pausa estou de volta com mais uma postagem da série de cursos da UoPeople. Um dos motivos do retorno é por conta do preparo que costumo fazer antes de retomar os estudos. Esta semana volto com Databases 1.

A revisão de College Algebra é especialmente especial porque é um dos cursos que geram mais perguntas dos estudantes. Também é o que causa mais ansiedade. É natural. Matemática não é o forte da maioria e a educação brasileira é, digamos, deficitária neste quesito. O objetivo aqui é tirar um pouco dessa ansiedade, ou pelo menos ajudar na identificação dos pontos fracos e fortes. Ficamos ansiosos com o que não conhecemos.

 

Descrição do Curso

O objetivo é fornecer uma base sólida em álgebra, trigonometria e geometria analítica. Quando se diz base, é porque realmente serão tópicos demandados nos demais cursos adiante, como Introdução à Estatística, Cálculo e Matemática Discreta, por exemplo.

O curso inclui o estudo de funções lineares, quadráticas e racionais, além de introduzir funções exponenciais, logarítmicas e cálculo de círculos. Mais uma vez, tópicos que serão revisitados em outros cursos adiante.

 

Dinâmica

O material principal do curso é o livro Precalculus, de Carl Stitz e Jeff Zeager. As unidades basicamente demandam o estudo autônomo dos capítulos, com sugestão de exercícios para completar em cada capítulo. Temos também aqui o fórum de discussão, peer-reviewed exercises e o learning journal.

A dificuldade de cada unidade varia bastante. Me considero um estudante fraco em matemática, mesmo assim não tive dificuldades específicas para aprender os conceitos. De qualquer forma, considerando a grade curricular padrão no Brasil, classifico o curso como sendo relativamente difícil. As unidades de polinomiais, funções logarítmicas e exponenciais e trigonometria são especialmente desafiadoras. A parte de trigonometria especialmente por ser no final do curso, quando já estamos com menos energia. Algumas, por outro, são relativamente simples, como funções e sistemas de equações.

Claro que essa percepção irá variar bastante de aluno para aluno, bem como a familiaridade prévia dos conceitos de cada unidade.

 

Crítica

Para mim, em termos de estrutura, College Algebra foi um dos cursos mais fracos da UoPeople até o momento. O conteúdo é espremido no conceito de discussion forum + learning journal + peer-reviewed exercises + self-quiz + graded quiz. Na prática não funciona muito bem. O instrutor da minha classe não estimulou o engajamento no fórum e as discussões foram, em sua maioria, burocráticas e entediantes. Alguns exercícios foram confusos, e o livro não é um exemplo de didatismo. São faltas graves no contexto de um curso online que se propõe acessível e moderno.

 

Exame Final

O formato do exame final é semelhante ao dos quizzes apresentados nas unidades, porém não espere perguntas repetidas ou simples. Creio que a prova é gerada aleatoriamente e no meu caso caíram várias questões de trigonometria, o tópico que estudei menos.

A prova deve ser realizada sob a presença de um supervisor. Como sempre, utilizei ProctorU pela comodidade e não tive problemas. Dentre os exames finais, este é o que possui as instruções mais detalhadas. É permitido o uso de calculadora simples, o que quase ninguém mais têm hoje em dia. Calculadora científica, celulares, tablets e dispositivos similares são proibidos. Não pode checar cadernos nem materiais de referência.

 

Dicas

A principal, de longe, é: revise o conteúdo com antecedência e estude por vias alternativas! É importante identificar os pontos fortes e fracos e atacar os fracos antes do curso começar. Os prazos são curtos, o conteúdo é intenso e matemática enferrujada não se azeita em dois meses. Use e abuse de sites como Khan Academy ou similares. O ritmo de estudo nele pode ser lento, mas os tópicos são explicados com muita qualidade. Você aprende a lógica por trás dos conceitos, o que o material deste curso, assim como a maioria dos materiais de matemática, não sabe ou não tem espaço suficiente para fazer com sucesso. A sensação é quase como ter um tutor particular.

Segunda dica: caso não entenda determinado tópico, não hesite em pedir ajuda para o instrutor, colegas ou grupos de estudantes. A inteligência coletiva faz milagres e as pessoas costumam ter recomendações excelentes.

Terceira e última dica: mantenha a consistência! Esse ponto foi o meu maior erro e afetou significativamente a minha performance no curso. Não deixe as coisas para o exame final. Complete todos os exercícios, por mais tediosos que eles possam ser. O esforço pode ser um pouco maior, porém é distribuído e fará você depender muito menos da nota no exame final. Nele os exercícios são aleatórios e alguns mal-diagramados. Não dependa da sorte.

Espero ter ajudado. Como sempre, caso tenham dúvidas, deixem um comentário!

Enfrentando English Composition 2

Até agora postei todos os resumos de curso na ordem em que completei. Me pareceu lógico, até para me ajudar na revisão das matérias enquanto estou de férias. Porém hoje decidi trocar a ordem. O próximo curso seria College Algebra, mas acho melhor agrupar os cursos de “humanas” primeiro e depois focar nos mais técnicos, portanto é a vez de English Composition 2.

Cursos com número ao lado me intimidam. Lembro dos tempos de Técnicas e Gêneros Jornalísticos 2, ou até amigos engenheiros estudando Cálculo 3, e a sensação de que você já deve estar manjando muito, ultrapassando o básico e mergulhando num mundo de especialização e experiência. Como tantas coisas na vida, quando você chega lá, percebe que não é nada assim.

Isso é especialmente verdade com English Composition 2 (EC2) na University of the People. Um curso que em muitos aspectos é uma repetição de EC1, com pitadinhas a mais de conteúdo aqui e ali e menos foco em tópicos realmente básicos de redação, conforme vimos no post anterior.

Em EC2 o objetivo principal do curso é acompanhar o aluno na elaboração de um trabalho de pesquisa acadêmico, bem como no desenvolvimento das técnicas necessárias neste processo. Escrita, análise dos componentes, avaliação de referências, identificação de conceitos-chave, técnicas de síntese, leitura crítica e práticas de pesquisa são os principais tópicos abordados ao longo das oito unidades.

A questão da proficiência no inglês, tão recorrente entre os interessados em participar da UoPeople, já foram respondidas na postagem de EC1 e dos cursos anteriores. Este curso parte do princípio que o aluno possui inglês funcional para leitura e trabalhos escritos. Para se ter uma referência do nível, um dos trabalhos pede a análise de um texto de James Joyce, o que definitivamente é uma obra que usa a língua inglesa de forma complexa. A avaliação dos colegas (peer-to-peer) nos trabalhos é ainda mais crítica (e frequentemente injusta) em EC2. Variações nas notas dos trabalhos são comuns, dependendo do grupo de alunos selecionado para te avaliar. Costuma ser necessário recorrer ao instrutor do curso nos casos mais extremos de nota injusta, porém mantenho a recomendação de não se apegar tanto à pequenas variações.

Um dos pontos mais interessantes do curso é a questão da análise crítica, extremamente válida nos dias de hoje em que tantas pessoas têm dificuldade para interpretar informação. Um dos materiais contém uma lista de questões que vale imprimir e colocar no espelho do banheiro, para ler todas as manhãs:

1-) Qual é o título e o assunto do texto?

2-) Qual é a posição do autor? Como eu sei disso?

3-) Quais evidências o autor apresenta para embasar as ideias? Como eu sei disso?

4-) As evidências são válidas? Como eu sei disso?

5-) As evidências são relevantes? Como eu sei disso?

6-) Eu já ouvi/li algo similar antes? O quê foi?

7-) Eu concordo ou discordo da posição expressa pelo autor? Por quê?

Sete questões que lembram bastante as jornalísticas “Quem, o quê, onde, como, quando e por quê”, que se aprende na faculdade e se ignora na profissão. Teorias importantíssimas para todos os outros cursos adiante, seja em Business Administration ou Computer Science.

O principal elemento de EC2 é o trabalho acadêmico, cujo tópico acima está intimamente relacionado. O curso mergulha no passo-a-passo necessário para compor um academic paper, destrinchando o conceito de tese, antítese e síntese, metodologias de pesquisa quantitativa e qualitativa e o desenvolvimento de um Abstract. O desenvolvimento do trabalho acadêmico permeia todas as unidades do curso e é um exercício bem interessante de fazer logo no início da vida acadêmica. Aqui vai a principal dica: escolha o tema do trabalho o mais cedo possível. Cada unidade do curso vai “montando” a pesquisa aos poucos, usando os Learning Journals, então, se você decidir mudar o tópico lá na frente, vai dar trabalho para escrever tudo de novo. Decidir o tema antes garante que você vai distribuir o esforço ao longo de oito semanas.

Quanto aos Discussion Assignments, não tem segredo. Eles seguem mais ou menos o padrão de EC1, talvez com alguns tópicos um pouco mais desafiadores e textos mais complexos. Algumas unidades possuem textos muito bons, como por exemplo o artigo “Fear & Loathing in America”, de Hunter S. Thompson. Gostei tanto da discussão que adaptei meu texto de discussão e publiquei no medium para quem tiver interesse.

O aspecto central do curso é bastante elevado. É a busca pelo pensamento crítico e pela independência intelectual. Algumas atividades exigem que o aluno escolha o tópico e faça a pesquisa individualmente. Parece algo óbvio, mas é legal pensar sobre os assuntos que te interessam e transformá-los em uma pesquisa estruturada. Não existe assunto certo ou errado, é o processo de pesquisa que importa. Em um dos trabalhos, por exemplo, falei da mineração ilegal em terra indígenas apoiada por agentes do Estado no Brasil.

O curso tem potencial de melhorar muito, mas para mim ele atende muito bem o requisito de encontrar um propósito na atividade acadêmica. Estudar não serve para tirar notas altas e ganhar um papel estiloso com o seu nome no final. Estudar é exploração, é resolver problemas, encontrar soluções. Para isso ser efetivo é importante um mínimo de estrutura e é disso que EC2 trata.

Sobre Globalization na UoPeople

Considero que este foi o meu primeiro curso “real” da universidade. Não é um curso que ensina como estudar, que foca em regras de formatação acadêmica e organização de anotações. O tópico é Globalização e o objetivo é debater o assunto de forma estruturada ao longo das oito unidades. Foi nele que meu inglês foi realmente testado, bem como minha capacidade de pesquisa, síntese e escrita. Foi também o primeiro curso em que encontrei alguns pontos negativos sobre a universidade, que serão mencionados abaixo.

 

Objetivos do Curso

Segundo o plano de aulas, temos o seguinte:

– Explicar os conceitos e debates básicos sobre globalização econômica.

– Identificar e explicar os impactos da globalização em seus vários aspectos.

– Analisar a complexidade da globalização, suas múltiplas perspectivas, posições dos grupos de interesse e críticos entre várias culturas, bem como desenvolver sua própria visão sobre a questão.

– Sugerir estratégias e métodos para reduzir os danos e os impactos negativos do processo de globalização.

São tópicos amplos. O primeiro ponto que destaco dos itens acima, e que se comprova ao longo das unidades, é que o curso exige pesquisa, posicionamento e postura crítica. No curso este ponto quanto à postura crítica é realmente chave para o sucesso nos trabalhos.

 

Esforço esperado

Sei que esta é a principal dúvida de quem lê uma postagem como essa. Minha sensação é que o curso não foi especialmente exigente, porém muitos colegas desistiram do curso na primeira semana, comentando que ele exige muita leitura.

Isso é correto e incorreto ao mesmo tempo. O curso começa exigente e ao longo das unidades vai se tornando mais fácil e um tanto repetitivo. O fichamento de leitura da primeira semana, por exemplo, ficou com mais de 12 páginas. Ao longo das unidades, porém, esse número se reduziu para 4 ou 5 páginas de anotações, em média. O esforço maior, portanto, é na primeira unidade. Não se assuste! Diria que dá para levar com tranquilidade investindo cerca de 6-8 horas semanais.

Meu instrutor no curso exigia um mínimo de palavras nos trabalhos. Uma postagem no fórum de discussão, por exemplo, deveria ter pelo menos 100 palavras. Submissões no Learning Journal, 500 palavras. Os trabalhos escritos, entre 700 e 1200 palavras. Somando tudo isso realmente dá uma quantidade respeitável por semana (cerca de 2000 palavras), especialmente para quem não gosta ou não tem costume de escrever.

 

Materiais de estudo

O curso não tem um livro específico. O principal recurso é o site Globalization101.org, um projeto do Instituto LEVIN, da Universidade Estadual de Nova Iorque. É um dos meus pontos “negativos” do curso, pois é um material relativamente desatualizado. Por exemplo, um dos textos sobre Tecnologia ainda destaca o Orkut como rede social popular! A primeira unidade, com mais leituras, possui fontes mais diversificadas, porém isso diminui da metade do curso para o final.

O lado positivo é que se espera uma postura ativa do aluno para pesquisar além dos materiais fornecidos. Os conhecimentos adquiridos no curso de English Composition 1 e Online Education Strategies vêm a calhar e a sensação é que a lógica de como os cursos são ordenados faz todo o sentido.

Minha dica para o aluno ansioso é ler os artigos do site 101 antecipadamente. Se familiarize com os assuntos antes do curso começar. Minha recomendação dos tópicos principais abordados: Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Bretton Woods, Metas de Desenvolvimento do Milênio, Declaração dos Direitos Humanos, internet como plataforma econômica, cultural e política, Subsídios Agrários em Países Desenvolvidos, BRICS, UNASUL, Joseph Schumpeter, Dra. Vandana Shiva.

 

Posicionamento nos textos

Este item é sempre complicado, pois a construção intelectual é algo profundamente pessoal. Entretanto duas dicas básicas, e talvez um tanto óbvias, valem como guia genérico para todos os trabalhos.

  1. Não é esperado apoio incondicional aos textos. É esperada, sim, uma postura crítica sobre o assunto, com posicionamento pessoal claro e estruturado.
  2. Todos os trabalhos devem ter referência externa. Formato APA, citações, paráfrases (vide English Composition 1 e OLS). O suporte de materiais que indiquem que o aluno pesquisou é obrigatório.

Como exemplo de estrutura, compartilho um dos exercícios de redação. O tema foi destacar um exemplo de efeito negativo da globalização. Escolhi falar da construção da BR-364 com recursos do Banco Mundial, seus efeitos no desmatamento e posteriormente no conflito de terras que levou ao assassinato de seringueiros, entre eles Chico Mendes. Subi o texto no Medium aqui.

 

Considerações Finais

O curso é interessante, pois aborda um tópico “familiar” de maneira relativamente profunda e multifacetada. O termo “globalização” costuma aparecer nos noticiários de forma superficial e poucas pessoas conseguem elaborar sobre seus efeitos ou desenvolver uma opinião estruturada à respeito.

A grande vantagem da UoPeople neste quesito é a educação compartilhada e a revisão entre os alunos. Existem poucas universidades no mundo com um corpo estudantil tão diversificado, em todos os sentidos (cultural, econômico, social). São grandes as chances de entrar em contato com visões totalmente diferentes da nossa a respeito da Globalização.

Esta é, inclusive, uma das vantagens para estudantes brasileiros. Fazemos parte de um país em desenvolvimento (até quando?), localizado na América do Sul, até hoje fora dos grandes centro de pesquisa, desenvolvimento e de influência global. Trazer a nossa perspectiva para classe é super relevante. Percebi que era capaz de participar das discussões com profundidade. Ao longo do curso fui capaz de refinar os motivos que me levaram a estudar na UoPeople e entender um pouco mais sobre minha posição no mundo.

Minha recomendação final é que o aluno começando a UoPeople não desista por conta da primeira semana. É comum ter Globalization junto com Online Education Strategies como os dois primeiros cursos de “graduação”. São cursos que fazem bastante sentido no início dos estudos, portanto não recomendo deixar para depois!

Online Education Strategies na UoPeople

Introdução

Seguindo com a série de posts sobre os cursos da UoPeople, chegou a hora de falar de Online Education Strategies (OES), normalmente um dos primeiros cursos “reais” da universidade depois do filtro de English Composition 1.

É um curso introdutório, apesar de já valer pontos no GPA. Por conta disso ele costuma receber pouca atenção dos alunos. A maioria procura tirar ele da lista para começar os cursos de programação ou negócios (e virar um degree-seeking student). Nos grupos do Face não há muitos recursos ou referência sobre os tópicos abordados nele. Quem passa não lembra direito como foi, fala que é tranquilo e pronto. Isso com certeza não ajuda a diminuir a ansiedade de quem está começando os estudos na UoPeople.

Para escrever o post reli todas as anotações que fiz durante o curso. Percebi nesse processo o quão importante ele é e como não devemos deixá-lo numa posição secundária. OES é a bússola que te orienta durante a jornada acadêmica pela universidade e muitos textos da bibliografia são úteis também para o nosso desenvolvimento pessoal. Foi muito interessante revisitar os exercícios que fiz um, ano depois, especialmente começando 2018 cheio de planos.

Enfim, sem mais delongas, vamos às perguntas e respostas.

 

1-) O que é Online Education Strategies?

É um curso que familiariza os calouros da UoPeople com o ambiente de aprendizado online. Estilo primeiro dia na escola. É uma introdução aos recursos disponíveis, aos métodos acadêmicos, políticas, código de conduta e expectativas em relação à performance do estudante na universidade. Mas o curso vai além, cobrindo também técnicas de gerenciamento de tempo, inteligência emocional, técnicas de estudo, pensamento crítico e desenvolvimento de objetivos pessoais e acadêmicos.

Bastante coisa, né? E nesse ponto ressalto que a qualidade dos textos é boa, bem como as lições que você tira deles caso se envolva com o conteúdo. Uma reclamação comum de muitos estudantes é que todo esse papo teórico é tedioso, porém minha primeira dica é fazer esse curso com o coração aberto. Os próximos tópicos vão explicar melhor o que eu quero dizer.

 

2-) Concretamente, o que o curso aborda?

Assim como todos os demais cursos na universidade, OES é dividido em oito unidades, divididas em oito semanas. Tem uma unidade nove, que abrange quatro dias e é reservada para o exame final. Os tópicos de cada unidade são:

– Boas vindas e Introdução à UoPeople

– Integridade Acadêmica e Conduta Ética

– Métodos Educacionais da UoPeople Pt.1

– Abordagem Educacional da UoPeople Pt.2

– Gerenciamento de Tempo e de Estresse

– Técnicas de Estudo e Preparo de Prova

– O que é o pensamento crítico e porque ele é importante

– Desenvolvimento de Objetivos Pessoais e Acadêmicos.

O curso não possui um livro de referência. Ele consiste de vários textos e sites e pode ser que o conteúdo mude um pouco de tempos em tempos. De qualquer forma o objetivo dele é claro: empoderar o aluno, familiarizá-lo com a instituição que está entrando e em como organizar sua vida acadêmica e pessoal. Sinceramente fico surpreso como muitas faculdades / universidades brasileiras não têm algo parecido. Somos jogados na vida acadêmica sem entender qual é a filosofia da instituição em que estamos tomando parte. A UoPeople possui uma missão própria, com valores estabelecidos. É super importante como aluno entender esses valores e aplicá-los, especialmente no contexto de um ambiente acadêmico digital.

 

3-) Como se preparar para o curso? Preciso estudar algo antes?

Na postagem sobre English Composition 1 destaquei que o inglês se torna um requisito básico nos cursos, afinal a UoPeople é uma universidade americana. Online Education Strategies oferece a primeira oportunidade para testar efetivamente seus conhecimentos de leitura e escrita em tópicos variados. Para entender o que estou falando recomendo a leitura deste texto: Bloom’s Taxonomy of Learning Domains. Ou este breve estudo: The Effectiveness and Development of Online Discussion.

Se você entendeu os textos acima com facilidade e é capaz de sintetizar as ideias em uma dissertação, pronto, o requisito básico você já tem. O curso não requer muito preparo além disso: leitura e escrita funcional da língua inglesa, com bom uso do vocabulário. Dá para usar o Google Translator? Claro que dá. Porém convenhamos que traduzir o texto leva tempo e que o resultado final não é lá dessas coisas. OES é um curso que te ajuda a ter um parâmetro de como a exigência do inglês será nos próximos cursos, então faça uma auto-avaliação profunda e decida se não é melhor fazer aquele curso de redação em inglês no Coursera.

Em relação aos materiais do curso, não acho que a leitura prévia seja necessária. Vá com a mente aberta, participe ativamente dos fóruns de discussão e faça os exercícios propostos. Não transforme o curso como um “preparo inútil” para o que você realmente quer estudar na universidade. No mínimo ele fará você ajustar seus objetivos acadêmicos e formas de organizar o dia a dia.

Se a ansiedade é grande recomendo a leitura do About Us no site da UoPeople. Assista ao TED com o Shai Reshef (se ainda não assistiu), leia ativamente (anotando) a missão e os valores da universidade. São tópicos que farão parte das discussões e exercícios e com certeza te deixam com ainda mais orgulho de ter escolhido a UoPeople como alma mater. Caso você realmente queira se familiarizar com os tópicos antes, disponibilizei uma lista dos conceitos principais no final do post.

 

4-) Preciso trabalhar com referência APA nesse curso também?

Sim.

Aplique essa resposta para TODOS os cursos que eu postar aqui no blog, assim evito repetir essa pergunta.

 

5-) Como tirar boas notas nos exercícios, quizzes e fórum?

O sistema de peer assessment, em que cada estudante é responsável por revisar e avaliar o trabalho de seus pares, é fonte de ansiedade entre muitos alunos. Escolas e universidades tradicionais não costumam ter nada parecido. De vez em quando, no máximo, um exercício sobre como avaliar o trabalho do colega, ou uma atividade de auto-avaliação. Nada com a extensão e importância que há no sistema de peer assessment da UoPeople.

Entrarei em detalhes sobre como funciona esse sistema em outro post. Compartilho aqui as técnicas que segui durante o curso e que me fizeram ter poucos problemas de nota:

 

– Leia os textos com atenção, use-os e cite corretamente.

Parece um item óbvio mas muitos estudantes simplesmente ignoram os textos, ou claramente escrevem algo adaptado deles mas não citam. É o principal motivo de redução de nota entre os alunos, de longe. Cite, cite, cite! Coloque as referências! Use o Bibme para te guiar.

– Escreva com atenção. Revise antes de postar.

Muita gente escreve correndo. O texto final fica sem fluidez, repetitivo e com erros gramaticais bobos. Revise o texto, compartilhe com alguém na família ou amigo que é bom no inglês. Escreva num dia, deixe ele “descansar” e revise no dia seguinte. Você vai se surpreender como é possível melhorar e aprimorar o resultado final.

Atenção com a gramática

Está relacionado com o tópico acima, porém merece um reforço. Nos cursos iniciais os estudantes estão empolgados e costumam dar um peso extra na revisão gramatical. Sim, muitas vezes a correção será injusta. Sim, você pode ter um Nobel de Literatura inglesa e alguém vai apontar defeitos. Evite pedidos de revisão de nota fazendo o máximo esforço para que nenhum erro gramatical óbvio passe. Dica: Use o Grammarly para revisar os textos, a versão gratuita já ajuda bastante!

Não leve as avaliações para o pessoal

Um colega te dá nota baixa em todas as suas postagens no fórum? Não deixe a raiva subir à cabeça e se vingue dando nota baixa de volta. Se o seu colega não tem critérios claros na hora de revisar o seu texto isso deve servir de ensinamento sobre a importância de dar notas justas e apropriadamente justificadas. Mantenha a classe e não comece um ciclo vicioso de notas baixas com alguém. Isso vale principalmente para o fórum de discussões, onde é possível identificar indiretamente quem te dá nota.

Nessa fase o principal desafio é se acostumar com a dinâmica do sistema de peer assessment. Não precisa se estressar com alguns pontos descontados aqui ou ali. O peso de todos os exercícios avaliados por colegas (Written Assignments e Discussion Assignments) fica em torno de 20% da nota em OES, então dá para compensar facilmente nos demais exercícios (Learning Journal, Graded Quizzes e Final Exam). Lembre-se que diante de injustiças você pode sempre recorrer ao instrutor do curso.

 

6-) Como é o exame final?

O exame segue o formato dos Self-Quizzes e Graded-Quizzes: o familiar sistema com perguntas de múltipla escolha. O segredo aqui é simples e direto: faça todos os testes de cada unidade! Mesmo o Self-Quiz, que não vale nota, é essencial para te deixar familiarizado com a estrutura da prova. O exame final é baseado nessas questões, algumas vezes até com questões idênticas. O peso dos Graded Quizzes e do Final Exam gira em torno de 70% da nota. Espero ter te convencido.

 

Conclusão

Online Learning Strategies é um curso que fez bastante sentido para mim quando comecei os estudos na UoPeople. Recomendo que você aproveite ele ao máximo, se envolva nos exercícios e use esse período para entender a filosofia da universidade, conhecer colegas do mundo todo, fazer contatos e abrir a mente. Os materiais do curso em geral são bons e os exercícios propostos são desafiadores na medida certa.

Em caso de dúvidas não hesite em postar nos comentários ou entrar em contato.

 

Referência de tópicos do curso e recursos úteis

  • SMART Goals
  • 7 habits of highly effective people
  • Ladder of Inference
  • Starbursting
  • Root Cause Analysis
  • Critical Thinking
  • Bloom Taxonomy
  • College Info Geek