Enfrentando English Composition 2

Até agora postei todos os resumos de curso na ordem em que completei. Me pareceu lógico, até para me ajudar na revisão das matérias enquanto estou de férias. Porém hoje decidi trocar a ordem. O próximo curso seria College Algebra, mas acho melhor agrupar os cursos de “humanas” primeiro e depois focar nos mais técnicos, portanto é a vez de English Composition 2.

Cursos com número ao lado me intimidam. Lembro dos tempos de Técnicas e Gêneros Jornalísticos 2, ou até amigos engenheiros estudando Cálculo 3, e a sensação de que você já deve estar manjando muito, ultrapassando o básico e mergulhando num mundo de especialização e experiência. Como tantas coisas na vida, quando você chega lá, percebe que não é nada assim.

Isso é especialmente verdade com English Composition 2 (EC2) na University of the People. Um curso que em muitos aspectos é uma repetição de EC1, com pitadinhas a mais de conteúdo aqui e ali e menos foco em tópicos realmente básicos de redação, conforme vimos no post anterior.

Em EC2 o objetivo principal do curso é acompanhar o aluno na elaboração de um trabalho de pesquisa acadêmico, bem como no desenvolvimento das técnicas necessárias neste processo. Escrita, análise dos componentes, avaliação de referências, identificação de conceitos-chave, técnicas de síntese, leitura crítica e práticas de pesquisa são os principais tópicos abordados ao longo das oito unidades.

A questão da proficiência no inglês, tão recorrente entre os interessados em participar da UoPeople, já foram respondidas na postagem de EC1 e dos cursos anteriores. Este curso parte do princípio que o aluno possui inglês funcional para leitura e trabalhos escritos. Para se ter uma referência do nível, um dos trabalhos pede a análise de um texto de James Joyce, o que definitivamente é uma obra que usa a língua inglesa de forma complexa. A avaliação dos colegas (peer-to-peer) nos trabalhos é ainda mais crítica (e frequentemente injusta) em EC2. Variações nas notas dos trabalhos são comuns, dependendo do grupo de alunos selecionado para te avaliar. Costuma ser necessário recorrer ao instrutor do curso nos casos mais extremos de nota injusta, porém mantenho a recomendação de não se apegar tanto à pequenas variações.

Um dos pontos mais interessantes do curso é a questão da análise crítica, extremamente válida nos dias de hoje em que tantas pessoas têm dificuldade para interpretar informação. Um dos materiais contém uma lista de questões que vale imprimir e colocar no espelho do banheiro, para ler todas as manhãs:

1-) Qual é o título e o assunto do texto?

2-) Qual é a posição do autor? Como eu sei disso?

3-) Quais evidências o autor apresenta para embasar as ideias? Como eu sei disso?

4-) As evidências são válidas? Como eu sei disso?

5-) As evidências são relevantes? Como eu sei disso?

6-) Eu já ouvi/li algo similar antes? O quê foi?

7-) Eu concordo ou discordo da posição expressa pelo autor? Por quê?

Sete questões que lembram bastante as jornalísticas “Quem, o quê, onde, como, quando e por quê”, que se aprende na faculdade e se ignora na profissão. Teorias importantíssimas para todos os outros cursos adiante, seja em Business Administration ou Computer Science.

O principal elemento de EC2 é o trabalho acadêmico, cujo tópico acima está intimamente relacionado. O curso mergulha no passo-a-passo necessário para compor um academic paper, destrinchando o conceito de tese, antítese e síntese, metodologias de pesquisa quantitativa e qualitativa e o desenvolvimento de um Abstract. O desenvolvimento do trabalho acadêmico permeia todas as unidades do curso e é um exercício bem interessante de fazer logo no início da vida acadêmica. Aqui vai a principal dica: escolha o tema do trabalho o mais cedo possível. Cada unidade do curso vai “montando” a pesquisa aos poucos, usando os Learning Journals, então, se você decidir mudar o tópico lá na frente, vai dar trabalho para escrever tudo de novo. Decidir o tema antes garante que você vai distribuir o esforço ao longo de oito semanas.

Quanto aos Discussion Assignments, não tem segredo. Eles seguem mais ou menos o padrão de EC1, talvez com alguns tópicos um pouco mais desafiadores e textos mais complexos. Algumas unidades possuem textos muito bons, como por exemplo o artigo “Fear & Loathing in America”, de Hunter S. Thompson. Gostei tanto da discussão que adaptei meu texto de discussão e publiquei no medium para quem tiver interesse.

O aspecto central do curso é bastante elevado. É a busca pelo pensamento crítico e pela independência intelectual. Algumas atividades exigem que o aluno escolha o tópico e faça a pesquisa individualmente. Parece algo óbvio, mas é legal pensar sobre os assuntos que te interessam e transformá-los em uma pesquisa estruturada. Não existe assunto certo ou errado, é o processo de pesquisa que importa. Em um dos trabalhos, por exemplo, falei da mineração ilegal em terra indígenas apoiada por agentes do Estado no Brasil.

O curso tem potencial de melhorar muito, mas para mim ele atende muito bem o requisito de encontrar um propósito na atividade acadêmica. Estudar não serve para tirar notas altas e ganhar um papel estiloso com o seu nome no final. Estudar é exploração, é resolver problemas, encontrar soluções. Para isso ser efetivo é importante um mínimo de estrutura e é disso que EC2 trata.

2 thoughts on “Enfrentando English Composition 2

  1. Cicero Gommes says:

    oH mano estou precisando muito exclarecer umas duvidas com voce. ja entrei em contato atraves do insta e tambem face, mas ate agora nao obtive sucesso. Me da um ok. Obrigado

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