A luta é uma dança que é uma luta

Imagem da manifestação de resistência a Bolsonaro. Hermann Platz

São coisas misturadas, luta e dança. Mistura e oposição simultâneas. Ambas fazem parte da natureza. Acasalamento e oposição. Criação e morte. Beleza e horror. A existência de uma possibilita a apreciação da outra. As melhores lutas têm um pouco de dança e as melhores danças têm um pouco de luta.

É tempo de resgatar a dança dentro da luta e a luta dentro da dança. Tivemos um vislumbre disso na Hermannplatz, dia 4 de novembro de 2018: Kundgebung des Widerstands gegen Bolsonaro.

Que comecem a música. O primeiro round vai começar.

Quantos somos?

A – Sinto que o mundo está mais conectado. As pessoas viajam mais, conhecem outras culturas…

B – Você acha? Concordo que tem muito mais gente viajando, mesmo assim acho que ainda não é tão representativo.

A – Por que você diz isso? Está tudo lotado de turistas hoje em dia!

B – Mas isso é aqui na Europa. É em cidades específicas. O aumento existe, mas é concentrado.

A – Discordo. Todos os meus amigos viajam. Cada vez que nos encontramos o assunto acaba sendo a última viagem, um novo lugar descoberto.

B – Qual é a representatividade dos seus amigos? Digo, em relação ao mundo? Em relação a 7 bilhões de pessoas no mundo.

A – Mas aí você está indo muito além…

B – Não acho que é muito além. Você falou em mundo conectado. Existe esse discurso de que o mundo está cada vez menor. Mas acho que é uma ideia falsa. Ou, pelo menos, distorcida.

A – Distorcida como?

B – Primeiro pelo argumento da representatividade. Sim, mais gente viaja, mas ainda é uma minoria em termos globais. Boa parte do mundo continua sem recursos básicos e viajar é um luxo. Segundo, tem a desigualdade, mesmo nos países desenvolvidos. Algumas pessoas viajam muito, a maioria pouco ou nunca.

A – De onde você está tirando essa informação?

B – Estamos conversando, não tenho as referências de cabeça. Mas é só dar um Google e ver. Até onde eu lembro 2017 teve por volta de 1.3 bilhões de turistas. É gente pra cacete, mas temos 7.5 bilhões de pessoas no mundo. Não dá nem um quinto do total!

A – Mas cada um que viaja volta com histórias! Espalha entre os amigos, pela família. Esses 1.3 bilhões com certeza influenciam o restante.

B – É um bom ponto, não discordo totalmente. Mas aí entramos na questão qualitativa também.

A – Em quê sentido?

B – Viajar não é um produto acabado. Existem muitas formas de viajar. Pode ser profissional, familiar, sexual, turística. Pegando apenas a turística, acho que em boa parte o ato de viajar se tornou um produto de consumo.

A – E qual é o problema de ser um produto de consumo?

B – O problema é que não existe conexão, como você falou. Existe consumo. Compra, uso e descarte. As pessoas não absorvem a outra cultura de forma significativa. Elas se deslocam fisicamente, consomem, e voltam. É ínfima a parcela que realmente absorve, que realmente se conecta.

A – Essa é a sua opinião. Para você se conectar exige o quê?

B – Sem dúvida é a minha opinião. É o que as pessoas fazem quando conversam. Realmente, para mim conexão é algo que leva tempo. Não pode ser condensada em uma semana, um mês, talvez nem em um ano.

A – Então ninguém se conecta com ninguém? Quantos podem viajar por mais de um ano?

B – Claro que se conecta. Algumas viagens são introduções para algo além. Estabelecemos laços e eles são construídos com o tempo.

A – Então pronto, existe conexão!

B – Existe, isso é inegável. O meu ponto é que isso não é representativo. O discurso de um mundo mais tolerante por causa de tanta gente fazendo mochilão é exagerado. A prova disso é ver o que tem acontecido na política.

A – A maioria dos meus amigos que viajam está chocada com essas mudanças!

B – É claro que estão. Mas o que eles podem fazer? São minoria. Uma minoria conectada com o mundo e desconectada de seu próprio povo…

Jane Goodall

O documentário Jane é o tipo de filme que ultrapassa o próprio tema numa mistura consciente e inconsciente dos autores. Mostra como a vida de uma mulher, um indivíduo, é capaz de tocar em temas universais de uma forma extremamente poderosa. Do papel da mulher na sociedade para o papel do ser humano no mundo, da constituição da família para a construção e destruição de comunidades inteiras, da natureza animal para a natureza humana. Temas poderosos que são apresentados de forma singela, o que torna o resultado final ainda mais tocante.

Para mim a vida de Jane Goodall é uma lição de como o aprendizado vem do equilíbrio entre vivência e reflexão. De como ele pode partir de pura inocência e amor, e ir se desenvolvendo, passo a passo de forma diversa e multifacetada. É uma lição que procuro internalizar o máximo possível e que não poderia deixar de compartilhar.

Aproveitem enquanto Jane está disponível no Netflix.

Obrigado, Lê, pela recomendação!

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O único viajante com verdadeira alma que conheci era um garoto de escritório que havia numa outra casa, onde em tempos fui empregado. Este rapazito coleccionava folhetos de propaganda de cidades, países e companhias de transportes, tinha mapas — uns arrancados de periódicos, outros que pedia aqui e ali —; tinha, recortadas de jornais e revistas, ilustrações de paisagens, gravuras de costumes exóticos, retratos de barcos e navios. Ia às agências de turismo, em nome de um escritório hipotético, ou talvez em nome de qualquer escritório existente, possivelmente o próprio onde estava, e pedia folhetos sobre viagens para a Itália, folhetos de viagens para a Índia, folhetos dando as ligações entre Portugal e a Austrália.

Não só era o maior viajante, porque o mais verdadeiro, que tenho conhecido: era também uma das pessoas mais felizes que me tem sido dado encontrar. Tenho pena de não saber o que é feito dele, ou, na verdade, suponho somente que deveria ter pena; na realidade não a tenho, pois hoje, que passaram dez anos, ou mais, sobre o breve tempo em que o conheci, deve ser homem, estúpido, cumpridor dos seus deveres, casado talvez, sustentáculo social de qualquer — morto, enfim, em sua mesma vida. É até capaz de ter viajado com o corpo, ele que tão bem viajava com a alma.

Recordo-me de repente: ele sabia exactamente por que vias-férreas se ia de Paris a Bucareste, por que vias-férreas se percorria a Inglaterra, e, através das pronúncias erradas dos nomes estranhos, havia a certeza aureolada da sua grandeza de alma. Hoje, sim, deve ter existido para morto, mas talvez um dia, em velho, se lembre como é não só melhor, senão mais verdadeiro, o sonhar com Bordéus do que desembarcar em Bordéus.

E, daí, talvez isto tudo tivesse outra explicação qualquer, e ele estivesse somente imitando alguém. Ou… sim, julgo às vezes, considerando a diferença hedionda entre a inteligência das crianças e a estupidez dos adultos, que somos acompanhados na infância por um espírito da guarda, que nos empresta a própria inteligência astral, e que depois, talvez com pena, mas por uma lei alta, nos abandona, como as mães animais às crias crescidas, ao cevado que é o nosso destino.

FP

Escrever

Escrever. Colocar uma ideia no papel. Pegar no lápis, movimentar a mão, rabiscar símbolos. Desenho. Passar tinta na parede. Esfregar a mão. Representar. Contar uma história. Não pensar, não julgar, não apagar. Fluidez. Inocência. Simplicidade. Autenticidade. Bater o pé no chão. Assobiar. Bater uma mão na outra. Ouvir. Repetir. Sentar e observar. Olhar para cima, para baixo, para a esquerda, para a direita. Respirar. Respirar mais fundo. Sentir o coração.

Enfrentando English Composition 2

Até agora postei todos os resumos de curso na ordem em que completei. Me pareceu lógico, até para me ajudar na revisão das matérias enquanto estou de férias. Porém hoje decidi trocar a ordem. O próximo curso seria College Algebra, mas acho melhor agrupar os cursos de “humanas” primeiro e depois focar nos mais técnicos, portanto é a vez de English Composition 2.

Cursos com número ao lado me intimidam. Lembro dos tempos de Técnicas e Gêneros Jornalísticos 2, ou até amigos engenheiros estudando Cálculo 3, e a sensação de que você já deve estar manjando muito, ultrapassando o básico e mergulhando num mundo de especialização e experiência. Como tantas coisas na vida, quando você chega lá, percebe que não é nada assim.

Isso é especialmente verdade com English Composition 2 (EC2) na University of the People. Um curso que em muitos aspectos é uma repetição de EC1, com pitadinhas a mais de conteúdo aqui e ali e menos foco em tópicos realmente básicos de redação, conforme vimos no post anterior.

Em EC2 o objetivo principal do curso é acompanhar o aluno na elaboração de um trabalho de pesquisa acadêmico, bem como no desenvolvimento das técnicas necessárias neste processo. Escrita, análise dos componentes, avaliação de referências, identificação de conceitos-chave, técnicas de síntese, leitura crítica e práticas de pesquisa são os principais tópicos abordados ao longo das oito unidades.

A questão da proficiência no inglês, tão recorrente entre os interessados em participar da UoPeople, já foram respondidas na postagem de EC1 e dos cursos anteriores. Este curso parte do princípio que o aluno possui inglês funcional para leitura e trabalhos escritos. Para se ter uma referência do nível, um dos trabalhos pede a análise de um texto de James Joyce, o que definitivamente é uma obra que usa a língua inglesa de forma complexa. A avaliação dos colegas (peer-to-peer) nos trabalhos é ainda mais crítica (e frequentemente injusta) em EC2. Variações nas notas dos trabalhos são comuns, dependendo do grupo de alunos selecionado para te avaliar. Costuma ser necessário recorrer ao instrutor do curso nos casos mais extremos de nota injusta, porém mantenho a recomendação de não se apegar tanto à pequenas variações.

Um dos pontos mais interessantes do curso é a questão da análise crítica, extremamente válida nos dias de hoje em que tantas pessoas têm dificuldade para interpretar informação. Um dos materiais contém uma lista de questões que vale imprimir e colocar no espelho do banheiro, para ler todas as manhãs:

1-) Qual é o título e o assunto do texto?

2-) Qual é a posição do autor? Como eu sei disso?

3-) Quais evidências o autor apresenta para embasar as ideias? Como eu sei disso?

4-) As evidências são válidas? Como eu sei disso?

5-) As evidências são relevantes? Como eu sei disso?

6-) Eu já ouvi/li algo similar antes? O quê foi?

7-) Eu concordo ou discordo da posição expressa pelo autor? Por quê?

Sete questões que lembram bastante as jornalísticas “Quem, o quê, onde, como, quando e por quê”, que se aprende na faculdade e se ignora na profissão. Teorias importantíssimas para todos os outros cursos adiante, seja em Business Administration ou Computer Science.

O principal elemento de EC2 é o trabalho acadêmico, cujo tópico acima está intimamente relacionado. O curso mergulha no passo-a-passo necessário para compor um academic paper, destrinchando o conceito de tese, antítese e síntese, metodologias de pesquisa quantitativa e qualitativa e o desenvolvimento de um Abstract. O desenvolvimento do trabalho acadêmico permeia todas as unidades do curso e é um exercício bem interessante de fazer logo no início da vida acadêmica. Aqui vai a principal dica: escolha o tema do trabalho o mais cedo possível. Cada unidade do curso vai “montando” a pesquisa aos poucos, usando os Learning Journals, então, se você decidir mudar o tópico lá na frente, vai dar trabalho para escrever tudo de novo. Decidir o tema antes garante que você vai distribuir o esforço ao longo de oito semanas.

Quanto aos Discussion Assignments, não tem segredo. Eles seguem mais ou menos o padrão de EC1, talvez com alguns tópicos um pouco mais desafiadores e textos mais complexos. Algumas unidades possuem textos muito bons, como por exemplo o artigo “Fear & Loathing in America”, de Hunter S. Thompson. Gostei tanto da discussão que adaptei meu texto de discussão e publiquei no medium para quem tiver interesse.

O aspecto central do curso é bastante elevado. É a busca pelo pensamento crítico e pela independência intelectual. Algumas atividades exigem que o aluno escolha o tópico e faça a pesquisa individualmente. Parece algo óbvio, mas é legal pensar sobre os assuntos que te interessam e transformá-los em uma pesquisa estruturada. Não existe assunto certo ou errado, é o processo de pesquisa que importa. Em um dos trabalhos, por exemplo, falei da mineração ilegal em terra indígenas apoiada por agentes do Estado no Brasil.

O curso tem potencial de melhorar muito, mas para mim ele atende muito bem o requisito de encontrar um propósito na atividade acadêmica. Estudar não serve para tirar notas altas e ganhar um papel estiloso com o seu nome no final. Estudar é exploração, é resolver problemas, encontrar soluções. Para isso ser efetivo é importante um mínimo de estrutura e é disso que EC2 trata.

Sobre Globalization na UoPeople

Considero que este foi o meu primeiro curso “real” da universidade. Não é um curso que ensina como estudar, que foca em regras de formatação acadêmica e organização de anotações. O tópico é Globalização e o objetivo é debater o assunto de forma estruturada ao longo das oito unidades. Foi nele que meu inglês foi realmente testado, bem como minha capacidade de pesquisa, síntese e escrita. Foi também o primeiro curso em que encontrei alguns pontos negativos sobre a universidade, que serão mencionados abaixo.

 

Objetivos do Curso

Segundo o plano de aulas, temos o seguinte:

– Explicar os conceitos e debates básicos sobre globalização econômica.

– Identificar e explicar os impactos da globalização em seus vários aspectos.

– Analisar a complexidade da globalização, suas múltiplas perspectivas, posições dos grupos de interesse e críticos entre várias culturas, bem como desenvolver sua própria visão sobre a questão.

– Sugerir estratégias e métodos para reduzir os danos e os impactos negativos do processo de globalização.

São tópicos amplos. O primeiro ponto que destaco dos itens acima, e que se comprova ao longo das unidades, é que o curso exige pesquisa, posicionamento e postura crítica. No curso este ponto quanto à postura crítica é realmente chave para o sucesso nos trabalhos.

 

Esforço esperado

Sei que esta é a principal dúvida de quem lê uma postagem como essa. Minha sensação é que o curso não foi especialmente exigente, porém muitos colegas desistiram do curso na primeira semana, comentando que ele exige muita leitura.

Isso é correto e incorreto ao mesmo tempo. O curso começa exigente e ao longo das unidades vai se tornando mais fácil e um tanto repetitivo. O fichamento de leitura da primeira semana, por exemplo, ficou com mais de 12 páginas. Ao longo das unidades, porém, esse número se reduziu para 4 ou 5 páginas de anotações, em média. O esforço maior, portanto, é na primeira unidade. Não se assuste! Diria que dá para levar com tranquilidade investindo cerca de 6-8 horas semanais.

Meu instrutor no curso exigia um mínimo de palavras nos trabalhos. Uma postagem no fórum de discussão, por exemplo, deveria ter pelo menos 100 palavras. Submissões no Learning Journal, 500 palavras. Os trabalhos escritos, entre 700 e 1200 palavras. Somando tudo isso realmente dá uma quantidade respeitável por semana (cerca de 2000 palavras), especialmente para quem não gosta ou não tem costume de escrever.

 

Materiais de estudo

O curso não tem um livro específico. O principal recurso é o site Globalization101.org, um projeto do Instituto LEVIN, da Universidade Estadual de Nova Iorque. É um dos meus pontos “negativos” do curso, pois é um material relativamente desatualizado. Por exemplo, um dos textos sobre Tecnologia ainda destaca o Orkut como rede social popular! A primeira unidade, com mais leituras, possui fontes mais diversificadas, porém isso diminui da metade do curso para o final.

O lado positivo é que se espera uma postura ativa do aluno para pesquisar além dos materiais fornecidos. Os conhecimentos adquiridos no curso de English Composition 1 e Online Education Strategies vêm a calhar e a sensação é que a lógica de como os cursos são ordenados faz todo o sentido.

Minha dica para o aluno ansioso é ler os artigos do site 101 antecipadamente. Se familiarize com os assuntos antes do curso começar. Minha recomendação dos tópicos principais abordados: Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Bretton Woods, Metas de Desenvolvimento do Milênio, Declaração dos Direitos Humanos, internet como plataforma econômica, cultural e política, Subsídios Agrários em Países Desenvolvidos, BRICS, UNASUL, Joseph Schumpeter, Dra. Vandana Shiva.

 

Posicionamento nos textos

Este item é sempre complicado, pois a construção intelectual é algo profundamente pessoal. Entretanto duas dicas básicas, e talvez um tanto óbvias, valem como guia genérico para todos os trabalhos.

  1. Não é esperado apoio incondicional aos textos. É esperada, sim, uma postura crítica sobre o assunto, com posicionamento pessoal claro e estruturado.
  2. Todos os trabalhos devem ter referência externa. Formato APA, citações, paráfrases (vide English Composition 1 e OLS). O suporte de materiais que indiquem que o aluno pesquisou é obrigatório.

Como exemplo de estrutura, compartilho um dos exercícios de redação. O tema foi destacar um exemplo de efeito negativo da globalização. Escolhi falar da construção da BR-364 com recursos do Banco Mundial, seus efeitos no desmatamento e posteriormente no conflito de terras que levou ao assassinato de seringueiros, entre eles Chico Mendes. Subi o texto no Medium aqui.

 

Considerações Finais

O curso é interessante, pois aborda um tópico “familiar” de maneira relativamente profunda e multifacetada. O termo “globalização” costuma aparecer nos noticiários de forma superficial e poucas pessoas conseguem elaborar sobre seus efeitos ou desenvolver uma opinião estruturada à respeito.

A grande vantagem da UoPeople neste quesito é a educação compartilhada e a revisão entre os alunos. Existem poucas universidades no mundo com um corpo estudantil tão diversificado, em todos os sentidos (cultural, econômico, social). São grandes as chances de entrar em contato com visões totalmente diferentes da nossa a respeito da Globalização.

Esta é, inclusive, uma das vantagens para estudantes brasileiros. Fazemos parte de um país em desenvolvimento (até quando?), localizado na América do Sul, até hoje fora dos grandes centro de pesquisa, desenvolvimento e de influência global. Trazer a nossa perspectiva para classe é super relevante. Percebi que era capaz de participar das discussões com profundidade. Ao longo do curso fui capaz de refinar os motivos que me levaram a estudar na UoPeople e entender um pouco mais sobre minha posição no mundo.

Minha recomendação final é que o aluno começando a UoPeople não desista por conta da primeira semana. É comum ter Globalization junto com Online Education Strategies como os dois primeiros cursos de “graduação”. São cursos que fazem bastante sentido no início dos estudos, portanto não recomendo deixar para depois!

O belo

O belo não tem dono. Não é propriedade de ninguém, é apropriação difusa. É raro, mas é acessível por todo mundo. É consumido sem compreensão. Queremos protegê-lo, tomá-lo, mas ao mesmo tempo não há sentido em escondê-lo. O belo é ambíguo porque é domínio e escravidão. Ele precisa aparecer, mas ao se mostrar ele se perde. Se espatifa em centenas de pedaços, se torna vulgar. Ele é eterno mas também efêmero, é gelo com aparência de mármore: parece sólido porém invariavelmente se desfaz com o tempo.

O belo é benção para os que observam e é maldição para si mesmo.

76

Penso às vezes com um agrado (em bissecção) na possibilidade futura de uma geografia da nossa consciência de nós próprios. A meu ver, o historiador futuro das suas próprias sensações poderá talvez reduzir a uma ciência precisa a sua atitude para com a sua consciência da sua própria alma. Por enquanto vamos em princípio nesta arte difícil — arte ainda, química de sensações no seu estado alquímico por ora. Esse cientista de depois de amanhã terá um escrúpulo especial pela sua própria vida interior. Criará de si mesmo o instrumento de precisão para a reduzir a analisada. Não vejo dificuldade essencial em construir um instrumento de precisão, para uso auto-analítico, com aços e bronzes só do pensamento. Refiro-me a aços e bronzes realmente aços e bronzes, mas do espírito. É talvez mesmo assim que ele deva ser construído. Será talvez preciso arranjar a ideia de um instrumento de precisão, materialmente vendo essa ideia, para poder proceder a uma rigorosa análise íntima. E naturalmente será necessário reduzir também o espírito a uma espécie de matéria real com uma espécie de espaço em que existe. Depende tudo isso do aguçamento extremo das nossas sensações interiores, que, levadas até onde podem ser, sem dúvida revelarão, ou criarão, em nós um espaço real como o espaço que há onde as coisas da matéria estão, e que, aliás, é irreal como coisa.

Não sei mesmo se este espaço interior não será apenas uma nova dimensão do outro. Talvez a investigação científica do futuro venha a descobrir que tudo são dimensões do mesmo espaço, nem material nem espiritual por isso. Numa dimensão viveremos corpo; na outra viveremos alma. E há talvez outras dimensões onde vivemos outras coisas igualmente reais de nós. Apraz-me às vezes deixar-me possuir pela meditação inútil do ponto até onde esta investigação pode levar.

Talvez se descubra que aquilo a que chamamos Deus, e que tão patentemente está em outro plano que não a lógica e a realidade espacial e temporal, é um nosso modo de existência, uma sensação de nós em outra dimensão do ser. Isto não me parece impossível. Os sonhos também serão talvez ou ainda outra dimensão em que vivemos, ou um cruzamento de duas dimensões; como um corpo vive na altura, na largura e no comprimento, os nossos sonhos, quem sabe, viverão no ideal, no eu e no espaço. No espaço pela sua representação visível; no ideal pela sua apresentação de outro género que a da matéria; no eu pela sua íntima dimensão de nossos. O próprio Eu, o de cada um de nós, é talvez uma dimensão divina. Tudo isto é complexo e a seu tempo, sem dúvida, será determinado. Os sonhadores actuais são talvez os grandes precursores da ciência final do futuro. Não creio, é claro, numa ciência final do futuro. Mas isso nada tem para o caso.

Faço às vezes metafísicas destas, com a atenção escrupulosa e respeitosa de quem trabalha deveras e faz ciência. Já disse que chega a ser possível que a esteja realmente fazendo. O essencial é eu não me orgulhar muito com isto, dado que o orgulho é prejudicial à exacta imparcialidade da precisão científica.

(FP, LdD)

Online Education Strategies na UoPeople

Introdução

Seguindo com a série de posts sobre os cursos da UoPeople, chegou a hora de falar de Online Education Strategies (OES), normalmente um dos primeiros cursos “reais” da universidade depois do filtro de English Composition 1.

É um curso introdutório, apesar de já valer pontos no GPA. Por conta disso ele costuma receber pouca atenção dos alunos. A maioria procura tirar ele da lista para começar os cursos de programação ou negócios (e virar um degree-seeking student). Nos grupos do Face não há muitos recursos ou referência sobre os tópicos abordados nele. Quem passa não lembra direito como foi, fala que é tranquilo e pronto. Isso com certeza não ajuda a diminuir a ansiedade de quem está começando os estudos na UoPeople.

Para escrever o post reli todas as anotações que fiz durante o curso. Percebi nesse processo o quão importante ele é e como não devemos deixá-lo numa posição secundária. OES é a bússola que te orienta durante a jornada acadêmica pela universidade e muitos textos da bibliografia são úteis também para o nosso desenvolvimento pessoal. Foi muito interessante revisitar os exercícios que fiz um, ano depois, especialmente começando 2018 cheio de planos.

Enfim, sem mais delongas, vamos às perguntas e respostas.

 

1-) O que é Online Education Strategies?

É um curso que familiariza os calouros da UoPeople com o ambiente de aprendizado online. Estilo primeiro dia na escola. É uma introdução aos recursos disponíveis, aos métodos acadêmicos, políticas, código de conduta e expectativas em relação à performance do estudante na universidade. Mas o curso vai além, cobrindo também técnicas de gerenciamento de tempo, inteligência emocional, técnicas de estudo, pensamento crítico e desenvolvimento de objetivos pessoais e acadêmicos.

Bastante coisa, né? E nesse ponto ressalto que a qualidade dos textos é boa, bem como as lições que você tira deles caso se envolva com o conteúdo. Uma reclamação comum de muitos estudantes é que todo esse papo teórico é tedioso, porém minha primeira dica é fazer esse curso com o coração aberto. Os próximos tópicos vão explicar melhor o que eu quero dizer.

 

2-) Concretamente, o que o curso aborda?

Assim como todos os demais cursos na universidade, OES é dividido em oito unidades, divididas em oito semanas. Tem uma unidade nove, que abrange quatro dias e é reservada para o exame final. Os tópicos de cada unidade são:

– Boas vindas e Introdução à UoPeople

– Integridade Acadêmica e Conduta Ética

– Métodos Educacionais da UoPeople Pt.1

– Abordagem Educacional da UoPeople Pt.2

– Gerenciamento de Tempo e de Estresse

– Técnicas de Estudo e Preparo de Prova

– O que é o pensamento crítico e porque ele é importante

– Desenvolvimento de Objetivos Pessoais e Acadêmicos.

O curso não possui um livro de referência. Ele consiste de vários textos e sites e pode ser que o conteúdo mude um pouco de tempos em tempos. De qualquer forma o objetivo dele é claro: empoderar o aluno, familiarizá-lo com a instituição que está entrando e em como organizar sua vida acadêmica e pessoal. Sinceramente fico surpreso como muitas faculdades / universidades brasileiras não têm algo parecido. Somos jogados na vida acadêmica sem entender qual é a filosofia da instituição em que estamos tomando parte. A UoPeople possui uma missão própria, com valores estabelecidos. É super importante como aluno entender esses valores e aplicá-los, especialmente no contexto de um ambiente acadêmico digital.

 

3-) Como se preparar para o curso? Preciso estudar algo antes?

Na postagem sobre English Composition 1 destaquei que o inglês se torna um requisito básico nos cursos, afinal a UoPeople é uma universidade americana. Online Education Strategies oferece a primeira oportunidade para testar efetivamente seus conhecimentos de leitura e escrita em tópicos variados. Para entender o que estou falando recomendo a leitura deste texto: Bloom’s Taxonomy of Learning Domains. Ou este breve estudo: The Effectiveness and Development of Online Discussion.

Se você entendeu os textos acima com facilidade e é capaz de sintetizar as ideias em uma dissertação, pronto, o requisito básico você já tem. O curso não requer muito preparo além disso: leitura e escrita funcional da língua inglesa, com bom uso do vocabulário. Dá para usar o Google Translator? Claro que dá. Porém convenhamos que traduzir o texto leva tempo e que o resultado final não é lá dessas coisas. OES é um curso que te ajuda a ter um parâmetro de como a exigência do inglês será nos próximos cursos, então faça uma auto-avaliação profunda e decida se não é melhor fazer aquele curso de redação em inglês no Coursera.

Em relação aos materiais do curso, não acho que a leitura prévia seja necessária. Vá com a mente aberta, participe ativamente dos fóruns de discussão e faça os exercícios propostos. Não transforme o curso como um “preparo inútil” para o que você realmente quer estudar na universidade. No mínimo ele fará você ajustar seus objetivos acadêmicos e formas de organizar o dia a dia.

Se a ansiedade é grande recomendo a leitura do About Us no site da UoPeople. Assista ao TED com o Shai Reshef (se ainda não assistiu), leia ativamente (anotando) a missão e os valores da universidade. São tópicos que farão parte das discussões e exercícios e com certeza te deixam com ainda mais orgulho de ter escolhido a UoPeople como alma mater. Caso você realmente queira se familiarizar com os tópicos antes, disponibilizei uma lista dos conceitos principais no final do post.

 

4-) Preciso trabalhar com referência APA nesse curso também?

Sim.

Aplique essa resposta para TODOS os cursos que eu postar aqui no blog, assim evito repetir essa pergunta.

 

5-) Como tirar boas notas nos exercícios, quizzes e fórum?

O sistema de peer assessment, em que cada estudante é responsável por revisar e avaliar o trabalho de seus pares, é fonte de ansiedade entre muitos alunos. Escolas e universidades tradicionais não costumam ter nada parecido. De vez em quando, no máximo, um exercício sobre como avaliar o trabalho do colega, ou uma atividade de auto-avaliação. Nada com a extensão e importância que há no sistema de peer assessment da UoPeople.

Entrarei em detalhes sobre como funciona esse sistema em outro post. Compartilho aqui as técnicas que segui durante o curso e que me fizeram ter poucos problemas de nota:

 

– Leia os textos com atenção, use-os e cite corretamente.

Parece um item óbvio mas muitos estudantes simplesmente ignoram os textos, ou claramente escrevem algo adaptado deles mas não citam. É o principal motivo de redução de nota entre os alunos, de longe. Cite, cite, cite! Coloque as referências! Use o Bibme para te guiar.

– Escreva com atenção. Revise antes de postar.

Muita gente escreve correndo. O texto final fica sem fluidez, repetitivo e com erros gramaticais bobos. Revise o texto, compartilhe com alguém na família ou amigo que é bom no inglês. Escreva num dia, deixe ele “descansar” e revise no dia seguinte. Você vai se surpreender como é possível melhorar e aprimorar o resultado final.

Atenção com a gramática

Está relacionado com o tópico acima, porém merece um reforço. Nos cursos iniciais os estudantes estão empolgados e costumam dar um peso extra na revisão gramatical. Sim, muitas vezes a correção será injusta. Sim, você pode ter um Nobel de Literatura inglesa e alguém vai apontar defeitos. Evite pedidos de revisão de nota fazendo o máximo esforço para que nenhum erro gramatical óbvio passe. Dica: Use o Grammarly para revisar os textos, a versão gratuita já ajuda bastante!

Não leve as avaliações para o pessoal

Um colega te dá nota baixa em todas as suas postagens no fórum? Não deixe a raiva subir à cabeça e se vingue dando nota baixa de volta. Se o seu colega não tem critérios claros na hora de revisar o seu texto isso deve servir de ensinamento sobre a importância de dar notas justas e apropriadamente justificadas. Mantenha a classe e não comece um ciclo vicioso de notas baixas com alguém. Isso vale principalmente para o fórum de discussões, onde é possível identificar indiretamente quem te dá nota.

Nessa fase o principal desafio é se acostumar com a dinâmica do sistema de peer assessment. Não precisa se estressar com alguns pontos descontados aqui ou ali. O peso de todos os exercícios avaliados por colegas (Written Assignments e Discussion Assignments) fica em torno de 20% da nota em OES, então dá para compensar facilmente nos demais exercícios (Learning Journal, Graded Quizzes e Final Exam). Lembre-se que diante de injustiças você pode sempre recorrer ao instrutor do curso.

 

6-) Como é o exame final?

O exame segue o formato dos Self-Quizzes e Graded-Quizzes: o familiar sistema com perguntas de múltipla escolha. O segredo aqui é simples e direto: faça todos os testes de cada unidade! Mesmo o Self-Quiz, que não vale nota, é essencial para te deixar familiarizado com a estrutura da prova. O exame final é baseado nessas questões, algumas vezes até com questões idênticas. O peso dos Graded Quizzes e do Final Exam gira em torno de 70% da nota. Espero ter te convencido.

 

Conclusão

Online Learning Strategies é um curso que fez bastante sentido para mim quando comecei os estudos na UoPeople. Recomendo que você aproveite ele ao máximo, se envolva nos exercícios e use esse período para entender a filosofia da universidade, conhecer colegas do mundo todo, fazer contatos e abrir a mente. Os materiais do curso em geral são bons e os exercícios propostos são desafiadores na medida certa.

Em caso de dúvidas não hesite em postar nos comentários ou entrar em contato.

 

Referência de tópicos do curso e recursos úteis

  • SMART Goals
  • 7 habits of highly effective people
  • Ladder of Inference
  • Starbursting
  • Root Cause Analysis
  • Critical Thinking
  • Bloom Taxonomy
  • College Info Geek