Como foi Programming Fundamentals na UoPeople

A pergunta mais comum, quando digo que estudo Ciência da Computação, é: “Qual linguagem de programação você aprende no curso?”. Normalmente assim, no singular, como se existisse uma linguagem única capaz de expressar tudo e construir qualquer tipo de programa. Perguntas desse tipo são frequentes e revelam o desconhecimento das pessoas a respeito da tecnologia que nos cerca. “Hoje em dia todo mundo deve aprender a programar”. “Saber programar é uma habilidade em alta demanda”. “Milhares de vagas foram abertas para programadores”. Essas frases estão por toda parte: conversas de bar, artigos de jornal, anúncios e ofertas de cursos online. Programar é o Santo Graal da modernidade, capaz de resolver todos os problemas do mundo e de quebra garantir aquele salário anual de seis dígitos.

Programming Fundamentals é o primeiro curso de programação para a maioria dos alunos da UoPeople. É possível fazer cursos que trabalham com programação antes dele, mas é em Fundamentals que a atividade de programar está no centro do curso. Ele é a base para basicamente todos os outros cursos de CS da universidade, e de também nos ajuda a entender as limitações da computação. Ele remove a aura sagrada em torno do tópico e revela a dura realidade do ato de programar.

Os objetivos do curso

Em Fundamentals entramos na história e no desenvolvimento das linguagens de programação. Aprendemos como planejar um programa, antes de efetivamente programá-lo, utilizando modelos conceituais como pseudo code e fluxogramas, que ajudam a aprimorar a lógica de um programa, sua funcionalidade e execução. Desenvolvemos programas básicos em Python, e, finalmente, discutimos as vantagens e desvantagens de certos paradigmas de programação.

A introdução do curso destaca a importância de entender profundamente os tópicos, e não apenas completar burocraticamente os exercícios. São conceitos que serão revisitados constantemente nos cursos adiante, assumindo que já sabemos os fundamentos apresentados em Programming Fundamentals. É o alicerce de toda a construção que está por vir.

Como se preparar

Apesar do curso ser introdutório, recomendo entender o que será abordado com antecedência. Neste caso, é importante preparar a mente para entrar no “modo programador”. É o que em inglês chamam de mindset. Para minha (e nossa) sorte, nosso colega Dan Fletcher (que já citei aqui anteriormente) fez uma ótima postagem com o “manual de sobrevivência” para o curso. Ele dá dicas práticas de como instalar Python, a importância do processo de debugging, o conceito de ler-pesquisar-perguntar (read-search-ask), e compartilha sites excelentes para praticar o que aprendemos.

Para os ansiosos, vale dar uma “folheada” no livro do curso, Think Python. A versão online é dinâmica, com linguagem simples e ilustrativa. Ela contém vários exercícios interativos e que podem ser executados diretamente no navegador.

A dinâmica do curso

A UoPeople é consistente na estrutura dos cursos. Todos possuem exercícios de discussão (discussion assignments), diários de aprendizado (learning journals), e provas de múltipla escolha (graded quiz). Em Programming Fundamentals a diferença está nos exercícios de redação (written assignments), que se tornam exercícios de programação (programming assignments).

Os tópicos abordados nos discussion assignments giram em torno de conceitos genéricos de programação, como linguagens compiladas/linguagens interpretadas, linguagens formais, linguagens naturais. A maioria dos temas não possuem uma resposta absoluta, o que encaixa muito bem no formato de debate proposto. Quem espera só escrever código pode se surpreender. Os conceitos apresentados em English Composition 1 e 2 serão úteis aqui, especialmente se o instrutor for rígido com a qualidade dos textos e o uso de citações e referência APA.

Os exercícios de programação exigem a criação de pequenos programas de cálculo, de interface simples com o usuário e manipulação de documentos/dados. Quem tem experiência prévia com programação, mesmo que básica, não terá dificuldades. Praticamente todos os exercícios exigem a criação de um modelo conceitual em pseudo code/flowchart, que deve ser submetido junto com o código em Python. É um trabalho adicional que pode torcer o nariz de alguns, mas é uma forma excelente de praticar como documentar adequadamente o programa e garantir que o código seja claro para a revisão de terceiros.

Por fim, os testes de múltipla escolha abordam o conteúdo do livro Think Python e sobre a história da computação. É aqui que a quantidade de conteúdo pode ficar pesada. O curso utiliza o livro de Roy A. Allan, “A History of the Personal Computer”. É uma obra extensa, um tanto desorganizada e desatualizada, que entra nos mínimos detalhes de cada época na evolução dos computadores. Para evitar se perder na quantidade de informação, recomendo fazer os self quiz antes de ler os capítulos de cada unidade. Anote apenas o que cai nos testes e passe “superficialmente” sobre o conteúdo restante.

Mesmo com todas as falhas, o livro de história abre bastante a cabeça para a complexidade por trás do longo desenvolvimento da computação. Ele mostra como evoluções no hardware contribuem para evoluções no software, e vice-versa. Reúne publicações históricas de cada década, fala sobre a computação amadora, empresas como Tandy/Radio Shack, Altair, Namco e Atari. Processadores como o Intel 8008. Personalidades como Ada Lovelace, Charles Babbage, John von Neumann, Claude Shannon, Nolan Bushnell e Toru Iwatani.

Resumão

Este é um curso que vai além de muitos cursos introdutórios de programação que vemos pela internet. Não pela qualidade técnica, mas pela abrangência. Ele não se resume a ensinar o uso de variáveis, funções, operadores lógicos, estruturas de looping, data structures e data types. Ele vai além, misturando história, conceitos de desenvolvimento de software e exercícios práticos.

A habilidade mais importante de um cientista da computação é a resolução de problemas”. Este é um paradigma que devemos manter durante todo o curso. Não se trata de aprender essa ou aquela linguagem, mas de internalizar a capacidade de resolver problemas de forma estruturada. “Programar é o processo de quebrar uma tarefa grande, complexa, em tarefas cada vez menores e suficientemente simples para serem realizadas por instruções computacionais básicas”. Aprendemos que a tarefa mais difícil ao desenvolver um programa é conceitualizar suas instruções de forma organizada. Programar é resolver um problema, é atender uma necessidade. O programa deve ter um propósito.

Para alguns o parágrafo acima pode soar óbvio, mas sei que para outros tantos não é. É comum esquecermos esses princípios. Muitos se distraem querendo saber qual linguagem será a mais popular, ou qual linguagem é “melhor”. Descobrimos que não há resposta absoluta, e que muitas respostas dependem do contexto e do problema. Manter isso em mente é o melhor caminho para sobreviver à Programming Fundamentals e manter o foco durante a longa jornada em busca do bacharelado em Ciência da Computação.

Como sempre, estou à disposição em caso de dúvidas. É só comentar ou entrar no grupo de estudantes no Facebook.

College Algebra na UoPeople

Após longa pausa estou de volta com mais uma postagem da série de cursos da UoPeople. Um dos motivos do retorno é por conta do preparo que costumo fazer antes de retomar os estudos. Esta semana volto com Databases 1.

A revisão de College Algebra é especialmente especial porque é um dos cursos que geram mais perguntas dos estudantes. Também é o que causa mais ansiedade. É natural. Matemática não é o forte da maioria e a educação brasileira é, digamos, deficitária neste quesito. O objetivo aqui é tirar um pouco dessa ansiedade, ou pelo menos ajudar na identificação dos pontos fracos e fortes. Ficamos ansiosos com o que não conhecemos.

 

Descrição do Curso

O objetivo é fornecer uma base sólida em álgebra, trigonometria e geometria analítica. Quando se diz base, é porque realmente serão tópicos demandados nos demais cursos adiante, como Introdução à Estatística, Cálculo e Matemática Discreta, por exemplo.

O curso inclui o estudo de funções lineares, quadráticas e racionais, além de introduzir funções exponenciais, logarítmicas e cálculo de círculos. Mais uma vez, tópicos que serão revisitados em outros cursos adiante.

 

Dinâmica

O material principal do curso é o livro Precalculus, de Carl Stitz e Jeff Zeager. As unidades basicamente demandam o estudo autônomo dos capítulos, com sugestão de exercícios para completar em cada capítulo. Temos também aqui o fórum de discussão, peer-reviewed exercises e o learning journal.

A dificuldade de cada unidade varia bastante. Me considero um estudante fraco em matemática, mesmo assim não tive dificuldades específicas para aprender os conceitos. De qualquer forma, considerando a grade curricular padrão no Brasil, classifico o curso como sendo relativamente difícil. As unidades de polinomiais, funções logarítmicas e exponenciais e trigonometria são especialmente desafiadoras. A parte de trigonometria especialmente por ser no final do curso, quando já estamos com menos energia. Algumas, por outro, são relativamente simples, como funções e sistemas de equações.

Claro que essa percepção irá variar bastante de aluno para aluno, bem como a familiaridade prévia dos conceitos de cada unidade.

 

Crítica

Para mim, em termos de estrutura, College Algebra foi um dos cursos mais fracos da UoPeople até o momento. O conteúdo é espremido no conceito de discussion forum + learning journal + peer-reviewed exercises + self-quiz + graded quiz. Na prática não funciona muito bem. O instrutor da minha classe não estimulou o engajamento no fórum e as discussões foram, em sua maioria, burocráticas e entediantes. Alguns exercícios foram confusos, e o livro não é um exemplo de didatismo. São faltas graves no contexto de um curso online que se propõe acessível e moderno.

 

Exame Final

O formato do exame final é semelhante ao dos quizzes apresentados nas unidades, porém não espere perguntas repetidas ou simples. Creio que a prova é gerada aleatoriamente e no meu caso caíram várias questões de trigonometria, o tópico que estudei menos.

A prova deve ser realizada sob a presença de um supervisor. Como sempre, utilizei ProctorU pela comodidade e não tive problemas. Dentre os exames finais, este é o que possui as instruções mais detalhadas. É permitido o uso de calculadora simples, o que quase ninguém mais têm hoje em dia. Calculadora científica, celulares, tablets e dispositivos similares são proibidos. Não pode checar cadernos nem materiais de referência.

 

Dicas

A principal, de longe, é: revise o conteúdo com antecedência e estude por vias alternativas! É importante identificar os pontos fortes e fracos e atacar os fracos antes do curso começar. Os prazos são curtos, o conteúdo é intenso e matemática enferrujada não se azeita em dois meses. Use e abuse de sites como Khan Academy ou similares. O ritmo de estudo nele pode ser lento, mas os tópicos são explicados com muita qualidade. Você aprende a lógica por trás dos conceitos, o que o material deste curso, assim como a maioria dos materiais de matemática, não sabe ou não tem espaço suficiente para fazer com sucesso. A sensação é quase como ter um tutor particular.

Segunda dica: caso não entenda determinado tópico, não hesite em pedir ajuda para o instrutor, colegas ou grupos de estudantes. A inteligência coletiva faz milagres e as pessoas costumam ter recomendações excelentes.

Terceira e última dica: mantenha a consistência! Esse ponto foi o meu maior erro e afetou significativamente a minha performance no curso. Não deixe as coisas para o exame final. Complete todos os exercícios, por mais tediosos que eles possam ser. O esforço pode ser um pouco maior, porém é distribuído e fará você depender muito menos da nota no exame final. Nele os exercícios são aleatórios e alguns mal-diagramados. Não dependa da sorte.

Espero ter ajudado. Como sempre, caso tenham dúvidas, deixem um comentário!

Sobre Globalization na UoPeople

Considero que este foi o meu primeiro curso “real” da universidade. Não é um curso que ensina como estudar, que foca em regras de formatação acadêmica e organização de anotações. O tópico é Globalização e o objetivo é debater o assunto de forma estruturada ao longo das oito unidades. Foi nele que meu inglês foi realmente testado, bem como minha capacidade de pesquisa, síntese e escrita. Foi também o primeiro curso em que encontrei alguns pontos negativos sobre a universidade, que serão mencionados abaixo.

 

Objetivos do Curso

Segundo o plano de aulas, temos o seguinte:

– Explicar os conceitos e debates básicos sobre globalização econômica.

– Identificar e explicar os impactos da globalização em seus vários aspectos.

– Analisar a complexidade da globalização, suas múltiplas perspectivas, posições dos grupos de interesse e críticos entre várias culturas, bem como desenvolver sua própria visão sobre a questão.

– Sugerir estratégias e métodos para reduzir os danos e os impactos negativos do processo de globalização.

São tópicos amplos. O primeiro ponto que destaco dos itens acima, e que se comprova ao longo das unidades, é que o curso exige pesquisa, posicionamento e postura crítica. No curso este ponto quanto à postura crítica é realmente chave para o sucesso nos trabalhos.

 

Esforço esperado

Sei que esta é a principal dúvida de quem lê uma postagem como essa. Minha sensação é que o curso não foi especialmente exigente, porém muitos colegas desistiram do curso na primeira semana, comentando que ele exige muita leitura.

Isso é correto e incorreto ao mesmo tempo. O curso começa exigente e ao longo das unidades vai se tornando mais fácil e um tanto repetitivo. O fichamento de leitura da primeira semana, por exemplo, ficou com mais de 12 páginas. Ao longo das unidades, porém, esse número se reduziu para 4 ou 5 páginas de anotações, em média. O esforço maior, portanto, é na primeira unidade. Não se assuste! Diria que dá para levar com tranquilidade investindo cerca de 6-8 horas semanais.

Meu instrutor no curso exigia um mínimo de palavras nos trabalhos. Uma postagem no fórum de discussão, por exemplo, deveria ter pelo menos 100 palavras. Submissões no Learning Journal, 500 palavras. Os trabalhos escritos, entre 700 e 1200 palavras. Somando tudo isso realmente dá uma quantidade respeitável por semana (cerca de 2000 palavras), especialmente para quem não gosta ou não tem costume de escrever.

 

Materiais de estudo

O curso não tem um livro específico. O principal recurso é o site Globalization101.org, um projeto do Instituto LEVIN, da Universidade Estadual de Nova Iorque. É um dos meus pontos “negativos” do curso, pois é um material relativamente desatualizado. Por exemplo, um dos textos sobre Tecnologia ainda destaca o Orkut como rede social popular! A primeira unidade, com mais leituras, possui fontes mais diversificadas, porém isso diminui da metade do curso para o final.

O lado positivo é que se espera uma postura ativa do aluno para pesquisar além dos materiais fornecidos. Os conhecimentos adquiridos no curso de English Composition 1 e Online Education Strategies vêm a calhar e a sensação é que a lógica de como os cursos são ordenados faz todo o sentido.

Minha dica para o aluno ansioso é ler os artigos do site 101 antecipadamente. Se familiarize com os assuntos antes do curso começar. Minha recomendação dos tópicos principais abordados: Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Bretton Woods, Metas de Desenvolvimento do Milênio, Declaração dos Direitos Humanos, internet como plataforma econômica, cultural e política, Subsídios Agrários em Países Desenvolvidos, BRICS, UNASUL, Joseph Schumpeter, Dra. Vandana Shiva.

 

Posicionamento nos textos

Este item é sempre complicado, pois a construção intelectual é algo profundamente pessoal. Entretanto duas dicas básicas, e talvez um tanto óbvias, valem como guia genérico para todos os trabalhos.

  1. Não é esperado apoio incondicional aos textos. É esperada, sim, uma postura crítica sobre o assunto, com posicionamento pessoal claro e estruturado.
  2. Todos os trabalhos devem ter referência externa. Formato APA, citações, paráfrases (vide English Composition 1 e OLS). O suporte de materiais que indiquem que o aluno pesquisou é obrigatório.

Como exemplo de estrutura, compartilho um dos exercícios de redação. O tema foi destacar um exemplo de efeito negativo da globalização. Escolhi falar da construção da BR-364 com recursos do Banco Mundial, seus efeitos no desmatamento e posteriormente no conflito de terras que levou ao assassinato de seringueiros, entre eles Chico Mendes. Subi o texto no Medium aqui.

 

Considerações Finais

O curso é interessante, pois aborda um tópico “familiar” de maneira relativamente profunda e multifacetada. O termo “globalização” costuma aparecer nos noticiários de forma superficial e poucas pessoas conseguem elaborar sobre seus efeitos ou desenvolver uma opinião estruturada à respeito.

A grande vantagem da UoPeople neste quesito é a educação compartilhada e a revisão entre os alunos. Existem poucas universidades no mundo com um corpo estudantil tão diversificado, em todos os sentidos (cultural, econômico, social). São grandes as chances de entrar em contato com visões totalmente diferentes da nossa a respeito da Globalização.

Esta é, inclusive, uma das vantagens para estudantes brasileiros. Fazemos parte de um país em desenvolvimento (até quando?), localizado na América do Sul, até hoje fora dos grandes centro de pesquisa, desenvolvimento e de influência global. Trazer a nossa perspectiva para classe é super relevante. Percebi que era capaz de participar das discussões com profundidade. Ao longo do curso fui capaz de refinar os motivos que me levaram a estudar na UoPeople e entender um pouco mais sobre minha posição no mundo.

Minha recomendação final é que o aluno começando a UoPeople não desista por conta da primeira semana. É comum ter Globalization junto com Online Education Strategies como os dois primeiros cursos de “graduação”. São cursos que fazem bastante sentido no início dos estudos, portanto não recomendo deixar para depois!

Online Education Strategies na UoPeople

Introdução

Seguindo com a série de posts sobre os cursos da UoPeople, chegou a hora de falar de Online Education Strategies (OES), normalmente um dos primeiros cursos “reais” da universidade depois do filtro de English Composition 1.

É um curso introdutório, apesar de já valer pontos no GPA. Por conta disso ele costuma receber pouca atenção dos alunos. A maioria procura tirar ele da lista para começar os cursos de programação ou negócios (e virar um degree-seeking student). Nos grupos do Face não há muitos recursos ou referência sobre os tópicos abordados nele. Quem passa não lembra direito como foi, fala que é tranquilo e pronto. Isso com certeza não ajuda a diminuir a ansiedade de quem está começando os estudos na UoPeople.

Para escrever o post reli todas as anotações que fiz durante o curso. Percebi nesse processo o quão importante ele é e como não devemos deixá-lo numa posição secundária. OES é a bússola que te orienta durante a jornada acadêmica pela universidade e muitos textos da bibliografia são úteis também para o nosso desenvolvimento pessoal. Foi muito interessante revisitar os exercícios que fiz um, ano depois, especialmente começando 2018 cheio de planos.

Enfim, sem mais delongas, vamos às perguntas e respostas.

 

1-) O que é Online Education Strategies?

É um curso que familiariza os calouros da UoPeople com o ambiente de aprendizado online. Estilo primeiro dia na escola. É uma introdução aos recursos disponíveis, aos métodos acadêmicos, políticas, código de conduta e expectativas em relação à performance do estudante na universidade. Mas o curso vai além, cobrindo também técnicas de gerenciamento de tempo, inteligência emocional, técnicas de estudo, pensamento crítico e desenvolvimento de objetivos pessoais e acadêmicos.

Bastante coisa, né? E nesse ponto ressalto que a qualidade dos textos é boa, bem como as lições que você tira deles caso se envolva com o conteúdo. Uma reclamação comum de muitos estudantes é que todo esse papo teórico é tedioso, porém minha primeira dica é fazer esse curso com o coração aberto. Os próximos tópicos vão explicar melhor o que eu quero dizer.

 

2-) Concretamente, o que o curso aborda?

Assim como todos os demais cursos na universidade, OES é dividido em oito unidades, divididas em oito semanas. Tem uma unidade nove, que abrange quatro dias e é reservada para o exame final. Os tópicos de cada unidade são:

– Boas vindas e Introdução à UoPeople

– Integridade Acadêmica e Conduta Ética

– Métodos Educacionais da UoPeople Pt.1

– Abordagem Educacional da UoPeople Pt.2

– Gerenciamento de Tempo e de Estresse

– Técnicas de Estudo e Preparo de Prova

– O que é o pensamento crítico e porque ele é importante

– Desenvolvimento de Objetivos Pessoais e Acadêmicos.

O curso não possui um livro de referência. Ele consiste de vários textos e sites e pode ser que o conteúdo mude um pouco de tempos em tempos. De qualquer forma o objetivo dele é claro: empoderar o aluno, familiarizá-lo com a instituição que está entrando e em como organizar sua vida acadêmica e pessoal. Sinceramente fico surpreso como muitas faculdades / universidades brasileiras não têm algo parecido. Somos jogados na vida acadêmica sem entender qual é a filosofia da instituição em que estamos tomando parte. A UoPeople possui uma missão própria, com valores estabelecidos. É super importante como aluno entender esses valores e aplicá-los, especialmente no contexto de um ambiente acadêmico digital.

 

3-) Como se preparar para o curso? Preciso estudar algo antes?

Na postagem sobre English Composition 1 destaquei que o inglês se torna um requisito básico nos cursos, afinal a UoPeople é uma universidade americana. Online Education Strategies oferece a primeira oportunidade para testar efetivamente seus conhecimentos de leitura e escrita em tópicos variados. Para entender o que estou falando recomendo a leitura deste texto: Bloom’s Taxonomy of Learning Domains. Ou este breve estudo: The Effectiveness and Development of Online Discussion.

Se você entendeu os textos acima com facilidade e é capaz de sintetizar as ideias em uma dissertação, pronto, o requisito básico você já tem. O curso não requer muito preparo além disso: leitura e escrita funcional da língua inglesa, com bom uso do vocabulário. Dá para usar o Google Translator? Claro que dá. Porém convenhamos que traduzir o texto leva tempo e que o resultado final não é lá dessas coisas. OES é um curso que te ajuda a ter um parâmetro de como a exigência do inglês será nos próximos cursos, então faça uma auto-avaliação profunda e decida se não é melhor fazer aquele curso de redação em inglês no Coursera.

Em relação aos materiais do curso, não acho que a leitura prévia seja necessária. Vá com a mente aberta, participe ativamente dos fóruns de discussão e faça os exercícios propostos. Não transforme o curso como um “preparo inútil” para o que você realmente quer estudar na universidade. No mínimo ele fará você ajustar seus objetivos acadêmicos e formas de organizar o dia a dia.

Se a ansiedade é grande recomendo a leitura do About Us no site da UoPeople. Assista ao TED com o Shai Reshef (se ainda não assistiu), leia ativamente (anotando) a missão e os valores da universidade. São tópicos que farão parte das discussões e exercícios e com certeza te deixam com ainda mais orgulho de ter escolhido a UoPeople como alma mater. Caso você realmente queira se familiarizar com os tópicos antes, disponibilizei uma lista dos conceitos principais no final do post.

 

4-) Preciso trabalhar com referência APA nesse curso também?

Sim.

Aplique essa resposta para TODOS os cursos que eu postar aqui no blog, assim evito repetir essa pergunta.

 

5-) Como tirar boas notas nos exercícios, quizzes e fórum?

O sistema de peer assessment, em que cada estudante é responsável por revisar e avaliar o trabalho de seus pares, é fonte de ansiedade entre muitos alunos. Escolas e universidades tradicionais não costumam ter nada parecido. De vez em quando, no máximo, um exercício sobre como avaliar o trabalho do colega, ou uma atividade de auto-avaliação. Nada com a extensão e importância que há no sistema de peer assessment da UoPeople.

Entrarei em detalhes sobre como funciona esse sistema em outro post. Compartilho aqui as técnicas que segui durante o curso e que me fizeram ter poucos problemas de nota:

 

– Leia os textos com atenção, use-os e cite corretamente.

Parece um item óbvio mas muitos estudantes simplesmente ignoram os textos, ou claramente escrevem algo adaptado deles mas não citam. É o principal motivo de redução de nota entre os alunos, de longe. Cite, cite, cite! Coloque as referências! Use o Bibme para te guiar.

– Escreva com atenção. Revise antes de postar.

Muita gente escreve correndo. O texto final fica sem fluidez, repetitivo e com erros gramaticais bobos. Revise o texto, compartilhe com alguém na família ou amigo que é bom no inglês. Escreva num dia, deixe ele “descansar” e revise no dia seguinte. Você vai se surpreender como é possível melhorar e aprimorar o resultado final.

Atenção com a gramática

Está relacionado com o tópico acima, porém merece um reforço. Nos cursos iniciais os estudantes estão empolgados e costumam dar um peso extra na revisão gramatical. Sim, muitas vezes a correção será injusta. Sim, você pode ter um Nobel de Literatura inglesa e alguém vai apontar defeitos. Evite pedidos de revisão de nota fazendo o máximo esforço para que nenhum erro gramatical óbvio passe. Dica: Use o Grammarly para revisar os textos, a versão gratuita já ajuda bastante!

Não leve as avaliações para o pessoal

Um colega te dá nota baixa em todas as suas postagens no fórum? Não deixe a raiva subir à cabeça e se vingue dando nota baixa de volta. Se o seu colega não tem critérios claros na hora de revisar o seu texto isso deve servir de ensinamento sobre a importância de dar notas justas e apropriadamente justificadas. Mantenha a classe e não comece um ciclo vicioso de notas baixas com alguém. Isso vale principalmente para o fórum de discussões, onde é possível identificar indiretamente quem te dá nota.

Nessa fase o principal desafio é se acostumar com a dinâmica do sistema de peer assessment. Não precisa se estressar com alguns pontos descontados aqui ou ali. O peso de todos os exercícios avaliados por colegas (Written Assignments e Discussion Assignments) fica em torno de 20% da nota em OES, então dá para compensar facilmente nos demais exercícios (Learning Journal, Graded Quizzes e Final Exam). Lembre-se que diante de injustiças você pode sempre recorrer ao instrutor do curso.

 

6-) Como é o exame final?

O exame segue o formato dos Self-Quizzes e Graded-Quizzes: o familiar sistema com perguntas de múltipla escolha. O segredo aqui é simples e direto: faça todos os testes de cada unidade! Mesmo o Self-Quiz, que não vale nota, é essencial para te deixar familiarizado com a estrutura da prova. O exame final é baseado nessas questões, algumas vezes até com questões idênticas. O peso dos Graded Quizzes e do Final Exam gira em torno de 70% da nota. Espero ter te convencido.

 

Conclusão

Online Learning Strategies é um curso que fez bastante sentido para mim quando comecei os estudos na UoPeople. Recomendo que você aproveite ele ao máximo, se envolva nos exercícios e use esse período para entender a filosofia da universidade, conhecer colegas do mundo todo, fazer contatos e abrir a mente. Os materiais do curso em geral são bons e os exercícios propostos são desafiadores na medida certa.

Em caso de dúvidas não hesite em postar nos comentários ou entrar em contato.

 

Referência de tópicos do curso e recursos úteis

  • SMART Goals
  • 7 habits of highly effective people
  • Ladder of Inference
  • Starbursting
  • Root Cause Analysis
  • Critical Thinking
  • Bloom Taxonomy
  • College Info Geek

English Composition 1 na UoPeople

Uma breve introdução

Esta é a primeira postagem do projeto de resumo de cursos que prometi a mim mesmo que faria antes de 2017 terminar. Como dá para perceber estou simbolicamente garantindo o cumprimento da promessa postando literalmente no último dia do ano.

O objetivo é fazer um resumo de cada curso que já fiz na University of the People. A ideia é tirar as dúvidas básicas de quem está começando e/ou decidindo quais cursos escolher para o próximo período. Acompanho bastante vários grupos de estudantes (Facebook, Whatsapp, Yammer, Slack) e é comum ver as mesmas perguntas sendo repetidas ad infinitum, cenário perfeito para montar um guia informal e ajudar os novos alunos a navegar na universidade. Reconheço que o ensino online / à distância não é muito “natural”. A maioria de nós teve uma base educacional tradicional, sem ênfase na proatividade. Estudar na UoPeople muitas vezes exige exatamente o oposto do que é esperado em instituições educacionais tradicionais.

Pretendo seguir um formato bem simples nessas postagens, quase um bate-papo. Provavelmente o formato será adaptado dependendo do curso. Já adianto que não vou compartilhar exercícios ou detalhes de cada unidade. O ponto é passar uma ideia geral do que o curso aborda, dicas para entrar no curso preparado e desmistificar tópicos que geram ansiedade injustificada. Então vamos lá!

 

1-) O que é English Composition 1?

Você chegou a fazer aula de redação? Então. É mais ou menos a mesma coisa, só que em inglês. O dicionário define composition como “trabalho criativo, especialmente um poema ou peça de música”. Pois bem, no contexto da UoPeople o foco é no desenvolvimento da linguagem, leitura e escrita. É o curso base da universidade para todos os alunos que não comprovaram proficiência na língua inglesa no momento da admissão. Os detalhes sobre como comprovar o conhecimento da língua estão disponíveis no catálogo da Universidade, é só pesquisar “UoPeople Catalog” no Google.

Como estamos falando de uma universidade, o foco do curso é na escrita e leitura acadêmica. É importante ter isso em mente! Esse curso não possui um livro principal e sim vários materiais menores, geralmente em PDF, adaptados para o contexto da UoPeople. Ele também usa alguns textos e artigos espalhados pela internet afora.

 

2-) Como é esse negócio de inglês acadêmico?

No final das contas é mais simples do que parece, mas vou ser honesto logo de cara: se o seu inglês é básico não vai rolar. Se é “intermediário” você vai ter dificuldade. O curso assume que os conhecimentos de gramática do aluno já estejam relativamente consolidados e é só necessário dar uma polida. O material inicialmente foca na estrutura da língua inglesa e na eliminação de vícios textuais. Por isso fiz acima o paralelo com as aulas de redação em português. A abordagem é mais ou menos equivalente.

A primeira dica que deixo aqui não segui pessoalmente, mas muitos alunos recomendam como preparo o curso de English Composition I da Duke University, no Coursera. Batendo o olho nos objetivos e na agenda posso confirmar que a estrutura é bem parecida com a da UoPeople.

 

3-) Então é só sobre escrever melhor?

Não! O curso também aborda as etapas básicas que constituem o processo de escrever um texto acadêmico. Isso envolve métodos para anotar sobre tudo o que você utiliza como referência; como delinear um parágrafo; ler de forma crítica e selecionar fontes confiáveis. Ele também fala bastante sobre formas de apresentar suas ideias e, principalmente, como citar tudo o que você leu para escrever o texto (a.k.a. citação e referência).

O “tudo” em negrito não faz jus nem de longe sobre a importância deste item, portanto vou fazer um tópico só para ele abaixo.

 

4-) Qual é essa história de citar e colocar referência em tudo?

Quem já fez trabalho acadêmico e iniciação científica provavelmente lembra com muito carinho das famosas regras de formatação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Se não sabe o que é, dá um Google. Pois é, a UoPeople combate AGRESSIVAMENTE plagiarismo por parte dos alunos. Em bom português de raiz, copy-paste da internet. Um dos elementos para garantir que nada está sendo copiado é citar tudo, seja de forma literal ou parafraseada. Você vai aprender tudo exaustivamente durante o English Composition 1 e 2.

 

5-) Como faz para ser aprovado no curso?

Talvez esta seja a pergunta mais comum. Sinceramente está bem explicado no programa de estudos, mas vale esclarecer em português (tradução livre):

“Os estudantes devem atingir 73% ou mais no curso para atender o requisito de proficiência em inglês na UoPeople”.

Mas não é só isso e talvez por isso fique confuso para algumas pessoas:

“Uma vez que a proficiência na língua inglesa é uma habilidade essencial para o sucesso na UoPeople, os estudantes devem atingir uma pontuação mínima de 60 no exame final”.

Isso significa que mesmo que você tire 10 em tudo ao longo do curso, caso sua prova seja um desastre, já era. O exame final tem em si tem um peso de apenas 25% na composição geral da nota, porém a barreira dos 60 pontos é extremamente importante! Se esforce ao máximo até o último minuto do exame final.

 

6-) E como é esse exame final?

English Composition 1 tem um aspecto relativamente único (pelo menos até agora, de acordo com a minha experiência em outros cursos). O exame final é um teste genérico de inglês que não tem uma relação direta com os tópicos abordados durante o curso. Isso pega alguns estudantes de surpresa.

A intenção aqui não é assustar. O exame não é difícil para quem já tem um pouco de familiaridade com a língua. O que assusta é o contexto do exame, com todas as novidades da universidade e o requerimento de um proctor para acompanhar a prova. Tudo isso deixa alguns alunos ansiosos e por isso vale ir bem preparado, sabendo mais ou menos o que irá enfrentar.

 

7-) O curso é difícil?

Deixei essa para o final porque considero uma pergunta relativa. Difícil em qual contexto? Qual é o seu contexto ao fazer esta pergunta?

O contexto da minha resposta é que fiz English Composition 1 tendo uma boa base do inglês e dos conceitos que envolvem a produção de um texto acadêmico. Mesmo assim não conhecia as regras da APA, por exemplo. Para quem já teve que seguir as regras da ABNT é moleza, principalmente porque existe bem mais ferramentas disponíveis para te auxiliar com a formatação APA na internet.

Consegui levar o curso investindo cerca de quatro ou cinco horas por semana, no máximo. É pouco e mais para frente tem cursos muito mais exigentes (15-20 horas de estudo por semana). Ainda assim é um curso desafiador. Muitos alunos não têm familiaridade com textos longos nem em português, que dirá em inglês. Mesmo assim a maioria se acostuma rápido e pega o ritmo logo nas primeiras semanas.

Ele é um ótimo curso para se familiarizar com a dinâmica de estudos da UoPeople. Também te coloca em contato com textos literários (curtos) de alto nível de autores consagrados, como Anton Chekov, Jack London e Oscar Wilde. Independente de ter escolhido Computer Science, Business Administration ou Health Sciences, a universidade procura demonstrar com esse curso que a linguagem é base essencial para a construção do conhecimento.

 

Conclusão

Essa foi a primeira postagem da série. Reconheço que deixei alguns tópicos importantes de lado, mas não quis desviar muito o foco. Só a questão do proctor dá um post, por exemplo. A dinâmica dos fóruns de discussão, os exercícios de escrita e as avaliações entre os alunos (peer assessment) também. Aos poucos vou escrever sobre tudo isso. Caso tenha alguma solicitação especial é só comentar e pedir! Críticas e sugestões são sempre bem-vindas.

Aproveito mais uma vez para compartilhar o link do grupo no Facebook. Ele está aberto para todos os estudantes e interessados na universidade. Entre e participe!

 

Por hoje é só.