Categories
Tóin

Desculpas ao símbolo

Não é pessoal. Ou melhor, é totalmente pessoal. Rejeito em você o que rejeito em mim. Rolou essa coisa de sermos muito parecidos. Para alguns isso é sorte, para mim é doloroso. Feridas abertas sendo tratadas.

Hoje usei todas as minhas forças. Eliminei. Expurguei. Espremi. O pus está saindo. O inchaço cedendo. Dor tolerável. Tratável. Compreensível. Para mim é e isso me basta.

Estou leve.

Categories
Tóin

Sobre a torre de Neukölln

O tempo na torre

tempo de referência

tempo no alto

sinônimo de confiança

tempo passado

desconectado, defasado

ponteiros piscando de cansaço

tempo isolado

ignorado, desqualificado

tempo de pedra

imutável, incontestável

tempo de perda

tempo de merda

Categories
Tóin UoPeople

Programming 1 na UoPeople – Debugging

E já se foram alguns cursos compartilhados aqui desde que comecei a série de textos sobre a University of the People. Testei formatos diferentes procurando manter a estrutura mais ou menos coesa: linhas gerais do curso, pontos fortes, fracos, desafios e dicas gerais. O objetivo sempre foi lançar uma luz no caminho, não mostrar os detalhes do trajeto.

Parte desse esforço é egoísta. Cada postagem me força a revisar o curso e isso me ajuda a internalizar o que estudei. É também uma oportunidade de refletir sobre o que aprendi, e, principalmente, sobre como eu aprendi. Esse é o aspecto mais interessante do processo de aprendizado, na minha opinião. O “como” e o contexto. É entender o que está acontecendo no mundo enquanto aprendo determinado tópico e como isso afeta esse processo de internalização do conteúdo.

É um equilíbrio difícil. Ao criar um espaço público para compartilhar as minhas ideias, estabeleço invariavelmente um compromisso com o mundo externo. Preciso ser compreendido pelos outros. Não estou falando sozinho. O ato de compartilhar envolve ação e reação. É um ciclo que se retroalimenta. Abrir-se para o mundo envolve risco. E de que vale se arriscar se não for de corpo inteiro? De que vale se manter na zona de conforto no meio do desconhecido?

Essa postagem é sobre o curso de Programming 1 na University of the People, mas não de uma forma óbvia. Dessa vez não vou falar sobre o syllabus do curso, nem sobre os discussion forums, ou sobre os learning journals. São tópicos pontuais que podem ser escritos por qualquer um e já são publicados com prazo de validade limitado. Pouco significa falar que programamos em Java, que utilizamos Netbeans como IDE, ou que os Programming Assignments possuem 25% de peso na nota final. Isso foi assim há um ano atrás.

O objetivo-chave é o que podemos fazer de prático com esse conhecimento. É responder no quê Programming 1 acrescentou na minha vida. É explicar quais ferramentas adquiri para contribuir com algo, nem que esse algo seja um único grão de areia no castelo da humanidade. Programação Orientada a Objetos, Herança, Polimorfismo, Classes, Interface Gráfica e Estrutura de Dados: o que significa tudo isso para o mundo atual?

Nesse processo de reflexão pessoal é fácil deixar o pessimismo dominar tudo e revelar a resposta mais horrenda de todas: Eu não sei o que tudo isso significa. Entendo os conceitos. Aprendi ao longo do curso sobre estes e tantos outros tópicos considerados “essenciais”. É isso que Programming 1 cobre. Tópicos básicos sobre programação. Mas isso não significa nada sem objetivo. É como olhar um martelo e entender que ele serve para bater um prego, mas nunca utilizá-lo.

Eu faço aqui um convite e uma provocação. De agora em diante só vou falar enquanto bato o prego.

Categories
Pois é Tóin

Quantos somos?

A – Sinto que o mundo está mais conectado. As pessoas viajam mais, conhecem outras culturas…

B – Você acha? Concordo que tem muito mais gente viajando, mesmo assim acho que ainda não é tão representativo.

A – Por que você diz isso? Está tudo lotado de turistas hoje em dia!

B – Mas isso é aqui na Europa. É em cidades específicas. O aumento existe, mas é concentrado.

A – Discordo. Todos os meus amigos viajam. Cada vez que nos encontramos o assunto acaba sendo a última viagem, um novo lugar descoberto.

B – Qual é a representatividade dos seus amigos? Digo, em relação ao mundo? Em relação a 7 bilhões de pessoas no mundo.

A – Mas aí você está indo muito além…

B – Não acho que é muito além. Você falou em mundo conectado. Existe esse discurso de que o mundo está cada vez menor. Mas acho que é uma ideia falsa. Ou, pelo menos, distorcida.

A – Distorcida como?

B – Primeiro pelo argumento da representatividade. Sim, mais gente viaja, mas ainda é uma minoria em termos globais. Boa parte do mundo continua sem recursos básicos e viajar é um luxo. Segundo, tem a desigualdade, mesmo nos países desenvolvidos. Algumas pessoas viajam muito, a maioria pouco ou nunca.

A – De onde você está tirando essa informação?

B – Estamos conversando, não tenho as referências de cabeça. Mas é só dar um Google e ver. Até onde eu lembro 2017 teve por volta de 1.3 bilhões de turistas. É gente pra cacete, mas temos 7.5 bilhões de pessoas no mundo. Não dá nem um quinto do total!

A – Mas cada um que viaja volta com histórias! Espalha entre os amigos, pela família. Esses 1.3 bilhões com certeza influenciam o restante.

B – É um bom ponto, não discordo totalmente. Mas aí entramos na questão qualitativa também.

A – Em quê sentido?

B – Viajar não é um produto acabado. Existem muitas formas de viajar. Pode ser profissional, familiar, sexual, turística. Pegando apenas a turística, acho que em boa parte o ato de viajar se tornou um produto de consumo.

A – E qual é o problema de ser um produto de consumo?

B – O problema é que não existe conexão, como você falou. Existe consumo. Compra, uso e descarte. As pessoas não absorvem a outra cultura de forma significativa. Elas se deslocam fisicamente, consomem, e voltam. É ínfima a parcela que realmente absorve, que realmente se conecta.

A – Essa é a sua opinião. Para você se conectar exige o quê?

B – Sem dúvida é a minha opinião. É o que as pessoas fazem quando conversam. Realmente, para mim conexão é algo que leva tempo. Não pode ser condensada em uma semana, um mês, talvez nem em um ano.

A – Então ninguém se conecta com ninguém? Quantos podem viajar por mais de um ano?

B – Claro que se conecta. Algumas viagens são introduções para algo além. Estabelecemos laços e eles são construídos com o tempo.

A – Então pronto, existe conexão!

B – Existe, isso é inegável. O meu ponto é que isso não é representativo. O discurso de um mundo mais tolerante por causa de tanta gente fazendo mochilão é exagerado. A prova disso é ver o que tem acontecido na política.

A – A maioria dos meus amigos que viajam está chocada com essas mudanças!

B – É claro que estão. Mas o que eles podem fazer? São minoria. Uma minoria conectada com o mundo e desconectada de seu próprio povo…

Categories
Tóin

Escrever

Escrever. Colocar uma ideia no papel. Pegar no lápis, movimentar a mão, rabiscar símbolos. Desenho. Passar tinta na parede. Esfregar a mão. Representar. Contar uma história. Não pensar, não julgar, não apagar. Fluidez. Inocência. Simplicidade. Autenticidade. Bater o pé no chão. Assobiar. Bater uma mão na outra. Ouvir. Repetir. Sentar e observar. Olhar para cima, para baixo, para a esquerda, para a direita. Respirar. Respirar mais fundo. Sentir o coração.